30 de dez. de 2015

PARA QUE SERVE O SINETA – JORNAL DO CPERS SINDICATO?


        Enquanto a nossa categoria perde direito atrás de direito em função dos ataques do governo Sartori (PMDB, PP, PPS, PSDB, PSB, PSD, PRB, PV), a direção central do CPERS (PT e PCdoB) utiliza o jornal oficial do CPERS, o Sineta, para se autopromover e fazer uma propaganda enganosa visando a sua hegemonia sobre o sindicato. Estão de olho nas eleições sindicais de 2017 e, desde já, reforçam uma imagem de “aproximação” com a base para esconder os seus golpes e manobras de bastidores contra ela.
        A intenção principal da diretoria central enviando o Sineta pelo correio é influenciar aquela base que não participa ativamente do sindicato e, portanto, tem mais possibilidade de acreditar nessa propaganda enganosa. Os dois últimos Sinetas afirmam que o CPERS está mais próximo dos educadores e “no caminho da participação”. Mas quem participou da assembleia geral de 11 de setembro sabe que isso é uma falácia! Há uma profunda vacuidade de conteúdo, se mostrando alheio a toda a luta viva da base da nossa categoria e dos trabalhadores em geral.
        Nos últimos meses acompanhamos o aprofundamento da luta e dos ataques dos governos em todo o Brasil – com destaque aos estudantes e educadores de São Paulo – e a direção do CPERS ignorou todos estes ataques reais, bem como os processos de mobilização que mereceriam não apenas solidariedade ativa, mas uma análise profunda.
        Os últimos Sinetas não falam nenhuma palavra de apoio e solidariedade à luta dos estudantes de São Paulo. Nenhuma palavra sobre a luta dos educadores e estudantes de Goiás contra as privatizações da educação pública daquele estado. Nenhuma linha sobre os 30 mil educadores contratados demitidos no Paraná de Beto Richa (PSDB). Nenhuma palavra sobre os golpes impostos pela SEDUC contra as eleições e as direções eleitas democraticamente nas escolas, em que as antigas direções atuam em cumplicidade com o governo em troca da desmobilização da categoria contra seus ataques. Depois do golpe da assembleia do dia 11 de setembro, em que a direção abortou o movimento de resistência contra os ataques do governo Sartori, a direção não chamou mais nenhuma assembleia para organizar a luta e muito menos fez alguma referência no Sineta no sentido de mobilizar efetivamente a categoria.
        Pelo que lemos no Sineta, para a direção do CPERS as coisas parecem estar as mil maravilhas!

Para quê o Sineta poderia servir?
        O Sineta deveria ser aberto, democrático, servindo para organizar a luta da categoria, sugerindo temas para os debates entre colegas na sala dos professores durante o recreio, visando elevar o nível dos debates políticos nas escolas. Poderia servir para orientar a atuação dos representantes de escola e organizar a discussão nos núcleos, além de divulgar as posições presentes na categoria, abrindo espaço para artigos de membros da base do CPERS, etc.
O atual Sineta é uma vergonha e um verdadeiro desrespeito com a luta, a organização e a inteligência dos trabalhadores de base.

19 de dez. de 2015

Manifesto dos educadores contratados à sociedade gaúcha! Em defesa dos professores e funcionários contratados! Pelo direito ao trabalho!


        No dia 1º de dezembro reuniu-se no CPERS o grupo de trabalho (GT) dos trabalhadores contratados do 39º núcleo. O debate efetuado redundou neste manifesto:
         A contratação “emergencial” no magistério estadual vem de muitas décadas, portanto, nada tem de emergencial. É uma política permanente e massiva de admissão funcional. Muitos estão se aposentando como contratados. O contingente de contratados no magistério público gaúcho representa uma massa de dezenas de milhares de profissionais. É a mesma política liberal de precarização do trabalho de que se vale a classe dominante para rebaixar salários e dividir as categorias, a exemplo dos terceirizados, cooperativados e subempregados sem direitos sociais.
        A política que vem sendo aplicada pelo governo Sartori e apoiada pela grande mídia (sobretudo por RBS e Band) ameaça o emprego de mais de 20 mil professores contratados. Disse que os servidores públicos deveriam dar “graças a deus por ter estabilidade”. Para o governo, ter estabilidade para trabalhar é “um privilégio”, enquanto que conceder reajustes ao próprio salário e ao dos correligionários, nomear CCs, participar direta e indiretamente de inúmeros esquemas de corrupção com o setor privado, conchavar com a grande mídia e o empresariado para explorar ainda mais os trabalhadores, não! Em São Paulo, o governo do Estado conseguiu precarizar as condições de trabalho do funcionalismo público a tal ponto que toda uma categoria de educadores contratados é demitida no final do ano e readmitida em março.
Ora, isso é um absurdo! É praticamente o fim do direito às férias e do direito ao trabalho. Não podemos retroceder a tal ponto!
Se o governo aplicar esta medida política será com o absurdo pretexto de cortar gastos com o funcionalismo público e disseminar a discórdia e o medo nos trabalhadores que ficam. Neste momento é fundamental a solidariedade de classe entre educadores nomeados e trabalhadores contratados. Sem isso não é possível ter movimento sindical e, muito menos, enfrentamento aos governos neoliberais, que são os verdadeiros responsáveis por esta situação. A divisão da categoria em dois regimes de trabalho também é usada para deslegitimar e destruir o plano de carreira do funcionalismo público. A luta em defesa do plano de carreira também pressupõe a sua extensão à toda a categoria.
Alertamos à sociedade gaúcha que se demissões totais ou parciais ocorrerem entre os trabalhadores contratados isto será consequência da política do governo Sartori, que destinará o salário de centena de milhares de educadores contratados para a dívida pública, cobrir as isenções de impostos das grandes empresas e as sonegações fiscais. A demissão precarizará ainda mais os serviços públicos porque poderá significar enturmação, dificultando o trabalho pedagógico, interferindo na qualidade da educação e aumentando a sobrecarga dos servidores nomeados.
A direção estadual do CPERS tem uma política patronal para os trabalhadores contratados: ignora estes ataques, bem como as suas reivindicações, e não tem bandeira para defendê-los, ao mesmo tempo em que os aceitam como sócios e descontam a mensalidade sindical no final do mês.
Por tudo isso, os educadores contratados presentes no referido encontro, reivindicam: 
- Pelo direito ao trabalho!
- Abertura e divulgação dos contratos que a SEDUC guarda à sete chaves! Pelo direito de conhecermos o nosso vínculo empregatício!
- Contra o terrorismo estatal e midiático que visa destruir o emprego público!
- Pela consciência de classe! Colegas nomeados: precisamos do apoio de vocês; nós somos vocês amanhã!

- Repúdio à inexistência de política para os trabalhadores mais precarizados da nossa categoria por parte da direção do CPERS, que ignora 40% da categoria!

27 de nov. de 2015

GOVERNO SARTORI = GOVERNO ALCKMIN: AMBOS DESTROEM OS SERVIÇOS PÚBLICOS E CUMPREM AS METAS DO PNE PRIVATISTA DO BANCO MUNDIAL

        O governo Sartori continua sua ofensiva terrorista contra os trabalhadores do serviço público do Estado; não dá trégua! Quem dá o ritmo são as necessidades do grande capital. Na educação pública isto se traduz no fechamento da Educação infantil e de turmas da EJA em várias escolas, com objetivo muito claro de reduzir o quadro de recursos humanos e preparar o terreno para demissões em massa de trabalhadores contratados já no final de 2015, para “talvez” readmiti-los em março de 2016.

        Além da ameaça permanente de parcelar os salários dos trabalhadores do serviço público e ainda condenar o recebimento do 13º salário, o governo Sartori (PMDB) não se constrange em tripudiar ainda mais contra os trabalhadores, utilizando a grande mídia para assediar moralmente os trabalhadores, declarando que os mesmos “devem dar graças a deus que têm estabilidade”, dando o recado para mais um ataque, que é acabar com a estabilidade no emprego dos servidores públicos do Estado e demitir os trabalhadores contratados.

Não esqueçamos que recentemente foi encaminhado à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 206 para criar a “Lei de Responsabilidades Fiscal”, que prevê o descompromisso do governo com os gastos sociais que exceda a arrecadação do Estado, inclusive possibilitando a demissão no serviço público para os servidores públicos efetivos (concursados). A estratégia do governo com esta declaração é jogar a opinião pública (em particular os trabalhadores do setor privado) contra os servidores públicos preparando o terreno político para demitir milhares de trabalhadores contratados e efetivos quando lhe convier. Para o governo, ter estabilidade para trabalhar é “um privilégio”, enquanto que conceder reajustes ao próprio salário e ao dos correligionários, nomear CCs, participar direta e indiretamente de inúmeros esquemas de corrupção com o setor privado, conchavar com a grande mídia e o empresariado para explorar ainda mais os trabalhadores, não! Trabalhar é um direito negado pelo capitalismo. Não podemos entrar no jogo sujo da elite brasileira que pretende jogar trabalhador privado contra servidor público! Somos uma única classe trabalhadora! Precisamos agir enquanto tal e lutar pela estabilidade no emprego para todos os trabalhadores: que a burguesia nacional e internacional pague pela sua própria crise!

         A intensificação dos ataques faz parte do cumprimento das metas acordadas com o Banco Mundial, FMI, Wall Street. Fechar escolas, arrochar e parcelar salários e demitir para economizar às custas dos trabalhadores, garantindo o pagamento dos juros da dívida pública contraída com o imperialismo, a despeito do rebaixamento da qualidade e mesmo da inviabilização dos serviços públicos oferecidos para a população, é a única solução apresentada pela burguesia brasileira. Não! Existe outra saída! Os trabalhadores precisam se organizar para derrubá-la em uma luta a longo prazo.

       
A política patronal do CPERS
Na contramão da luta está a direção burocrática do CPERS, que puxa pra trás a organização dos trabalhadores, trai nossas greves, golpeia a categoria, não esclarece, atua como empecilho para organização da nossa classe, além de camuflar o caráter dos ataques; isto por que reivindica o Plano Nacional e Estadual de Educação do Banco Mundial, pois tem compromisso com os governos federal e estadual. Em nenhum momento nos materiais e propaganda do CPERS veiculada na mídia, por exemplo, esclarece que a PL 206, se aprovada, significará o fim da estabilidade no emprego. Ao contrário, deixa os trabalhadores a sua própria sorte, mesmo com a ameaça real de demissão em massa de trabalhadores contratados ao final do ano letivo de 2015, o que significa um ataque frontal aos direitos trabalhistas e a dignidade dos trabalhadores. O CPERS não trabalha para criar um sindicalismo classista, que defenda toda a categoria (efetivos e contratados), mas age com um sindicalismo patronal, divisionista e de faz de conta.
         Apesar das derrotas da nossa classe precisamos resistir aos ataques, organizar a luta, debater em nossas escolas novos métodos de enfrentamento ao avanço do conservadorismo e dos seus planos de ajustes. A experiência em São Paulo em que os estudantes ocupam as suas escolas em defesa da educação pública contra os ataques do governo Alckmin é um exemplo a ser seguido pelos trabalhadores e estudantes do Rio Grande do Sul. Tendo em vista que o caráter privatista dos ataques é oriundo da mesma matriz.

- NOSSA LUTA É UNIFICAR TRABALHADORES CONTRATADOS E EFETIVOS CONTRA AS DEMISSÕES DE FINAL DE ANO!

- CONTRA OS PLANOS DE AJUSTES DO GOVERNO SARTORI E DO IMPERIALISMO!

- PELO DIREITO AO TRABALHO! 

- CONTRA O TERRORISMO ESTATAL E MIDIÁTICO QUE VISA DESTRUIR O EMPREGO PÚBLICO!


- CONTRA A BUROCRACIA DIRIGENTE DO CPERS QUE NA SUA POLÍTICA PATRONAL IGNORA 40% DA CATEGORIA!

19 de nov. de 2015

GOVERNO ALCKMIN (PSDB) DESTRUINDO A EDUCAÇÃO PÚBLICA PARA GARANTIR DINHEIRO PARA O BANCO MUNDIAL

        A ordem dos organismos financeiros do imperialismo (Banco Mundial) é privatizar os serviços públicos. Os governos de todos os partidos em nível Federal, Estadual e Municipal aplicam planos de ajustes. A redução de investimentos e a destruição dos direitos trabalhistas estão na ordem do dia. O objetivo é economizar a custa de mais exploração e extorsão sobre os trabalhadores, para manter os lucros do capital. O capitalismo decadente demonstra mais uma vez a sua incompatibilidade com as necessidades mínimas dos trabalhadores e dos seus filhos.
        Há décadas que os governos neoliberais estão destruindo a educação pública. Com a aprovação do Plano Nacional de Educação em 2014 este processo se intensificou. O Banco Mundial pede pressa aos governos, que não tardam em cumprir suas metas, aprovam leis para legitimar esses ataques. Na saúde pública, a precarização do trabalho está em andamento; a terceirização se dá através de laboratórios e clínicas privadas atuando em hospitais públicos. Na educação, o processo em curso é semelhante: terceiriza-se os setores da limpeza, alimentação e segurança; precariza-se o trabalho através dos contratos temporários e dos diversos “projetos do MEC” que se utilizam de mão de obra “semi-escrava”, uma vez que os trabalhadores que atuam como oficineiros são desprovidos de direitos trabalhistas e seu trabalho não é regulamentado.
        Durante todo o ano de 2015 vivenciamos uma ofensiva dos governos de todos os partidos, através de seus planos de ajustes que não tem hora para acabar. É o aceleramento da barbárie que se traduz na desobrigação do Estado com as funções essenciais como educação, saúde, moradia, transporte, saneamento, segurança, etc.

OS ATAQUES DO GOVERNO ALCKMIN EM São Paulo
        Neste cenário de derrotas da classe trabalhadora, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) se sentiu forte para impor um plano de destruição da educação pública de São Paulo. O chamado plano de “reorganização” do ensino público prevê organizar as escolas por ciclos de ensino e faixa etária. No primeiro ciclo do ensino fundamental ficariam os alunos entre seis e onze anos, no do segundo, os alunos entre 12 e 14 anos, e no do terceiro, os alunos do Ensino Médio. Com isto o governo paulista pretende reduzir as escolas, que hoje funcionam com os três ciclos de ensino, e aumentar as do terceiro ciclo. Está previsto também reduzir a oferta do ensino noturno e da educação de jovens e adultos. Por trás de uma desculpa “racional”, de contenção de gastos perante a crise capitalista mundial, está o enxugamento do Estado e da educação pública exigido pelos organismos financeiros internacionais (Banco Mundial, FMI). Estas são estratégias utilizadas pelo governo tucano para iniciar a municipalização do ensino fundamental, e entregar a gestão escolar para as parcerias público privada, ou seja, privatizar a educação pública. Pretende ainda remanejar um milhão de estudantes em 2016, tirando-os de seu zoneamento de moradia, dificultando o acesso à educação.
        A intenção do governo Alckmin é economizar para garantir o pagamento da dívida pública com os agiotas internacionais, seguindo a risca a cartilha do Banco Mundial. Impõe goela abaixo aos professores e estudantes a enturmação, a superlotação de turmas e escolas. Existe a possibilidade de demissões de mais de 20 mil professores temporários e trabalhadores terceirizados da merenda e da limpeza, que são os mais precarizados. Em função da “reorganização” serão fechadas aproximadamente 400 escolas em todo o Estado de São Paulo, provocando uma redução nos repasses destinados às escolas (setores da mídia burguesa falam apenas em 94 escolas). A justificativa falaciosa da Secretaria de Educação é que a rede perdeu dois milhões de estudantes entre 1998 e 2015, justificativa absurda para desmontar a educação pública. A redução nas matrículas deveria servir para qualificar os espaços escolares, adaptá-lo à tecnologia atual, reformulá-los; e não para destruí-los como está fazendo o governo de São Paulo.

ESTUDANTES CONSTROEM A RESISTÊNCIA AOS ATAQUES DO GOVERNO ALCKMIN
        Em meio a um cenário de derrotas da classe trabalhadora e de avanço do conservadorismo no Brasil e no mundo, os estudantes apontam o caminho, resistindo bravamente às investidas do governo Alckmin. Ocupam suas escolas, assumindo a luta em defesa da educação pública, contra o truculento governo tucano, servindo de exemplo para toda a classe trabalhadora de como podemos construir a resistência para barrar os ataques neoliberais.
        Os estudantes de São Paulo estão hoje na vanguarda da luta contra o desmonte da educação pública. Precisamos cobrir de solidariedade a sua luta e aprender com os seus erros e acertos para quando os mesmos ataques neoliberais chegarem ao Rio Grande do Sul. Até o presente momento as burocracias sindicais cutistas da APEOESP e do CPERS mantem-se alheias à realidade concreta das ocupações. A direção do CPERS nem sequer se propõe a discutir esta luta nos seus meios de comunicação (Sineta, site, redes sociais; núcleos, formação sindical, etc.).
Saudamos a luta dos estudantes e educadores de São Paulo! Porém, alertamos-lhes sobre o papel nefasto das burocracias sindicais cutistas, que freiam e sabotam a luta que surge diretamente do chão da escola! Somente através da organização da nossa classe e na luta contra as burocracias sindicais e o capital é que poderemos construir uma alternativa dos trabalhadores, unidos com os estudantes, para enfrentar o avanço da barbárie capitalista. Esse exemplo deveria ser seguido por todos os trabalhadores do país, em defesa da educação pública e de serviços públicos de qualidade.

        

29 de out. de 2015

BALANÇO DA "GREVE PARCELADA" DO CPERS


        Dissemos em diversas análises antigas que a burocracia sindical era o grande empecilho para uma luta independente e uma greve vitoriosa. Não é possível pensar em greve vitoriosa ou qualquer outra política sindical consequente enquanto a burocracia sindical estiver dirigindo e controlando o CPERS.
        A burocracia cutista sabotou a nossa luta, manobrou e conchavou nos bastidores, terminando por levar o movimento grevista à derrota. Desde a cúpula do fórum dos servidores públicos foi preparado a destruição do movimento de base. A burocracia unida dos sindicatos de servidores deixou a luta transcorrer até certo ponto para, logo a seguir, ter melhores condições de sabotar e frear a organização e a luta de base. Ou seja, a grande mobilização dos servidores públicos foi uma resposta aos ataques do governo Sartori (PMDB, PP, PPS, PSDB, PSB, PSD, PRB, PV) e não mérito da política sindical do CPERS. Muito antes pelo contrário: o CPERS e a CUT se colocaram a frente do movimento para melhor domesticá-lo e freá-lo.
Como a burocracia sindical dispõe de muito tempo livre, tudo foi minuciosamente montado: desde a propaganda e o discurso ambíguo; até os passos políticos concretos para o desmonte. Muito se falou em “greve de novo tipo”, mas, como tudo se comprovou, isso era apenas uma forma de arrefecer e acalmar os ânimos da base. Foi com essa ajuda das burocracias sindicais que o governo Sartori conseguiu derrotar o movimento de indignação que as suas políticas de ajuste despertaram e aprová-las, uma a uma, na Assembleia Legislativa. Para vender a ideia de alguma “vitória”, a direção do CPERS afirmou que “garantiu o não corte do ponto” durante os dias de greve e que a pressão do fórum dos servidores “adiou votação de projetos na ALERGS” (Sineta, setembro/outubro de 2015).

Na assembleia geral do Pepsi On Stage a burocracia sindical mostrou sua verdadeira face
Temos visto a democracia sindical ser asfixiada pouco a pouco dentro do CPERS. Os golpes, manobras, imposições, desmontes, distorções, foram práticas comuns deste “movimento grevista” e está se tornando a regra. Este foi o principal motivo para a CUT ter investido pesado nas eleições do CPERS: queria ganhá-lo para poder frear a luta contra os seus governos!
A culminância dos golpes burocráticos se deu na assembleia geral do Pepsi On Stage. Para esconder essa vergonhosa manobra, a burocracia sindical distorceu os fatos: “Um grupo, a favor da greve por tempo indeterminado, começou a confusão após a categoria decidir pela manutenção do Estado de greve [...] atitude que impediu a contagem nominal dos votos” (Sineta, setembro/outubro de 2015). Isso demonstra o grau de compromisso com os governos federal e estadual. Não houve a menor intenção por parte da direção em contar os votos nominalmente. Claramente ela estava tencionando o plenário para empurrar a manobra adiante ou usar o pretexto de “desordem” para encerrar a assembleia. Como a quase metade dos presentes – e não um “pequeno grupo” – impediu que a manobra fosse consumada, a direção do CPERS optou pelo segundo caminho.

O papel conciliador das correntes e núcleos de “oposição”
        Mesmo controlando a metade dos núcleos do CPERS, as correntes ditas de “oposição” (MLS, PSOL, PSTU, CEDS), apesar de criticarem as políticas da direção central e, eventualmente, falar contra a burocracia sindical, foram meras correias de transmissão da burocracia cutista. Em nenhum momento desfizeram as mentiras da direção central, seus discursos falaciosos e as circulares que visavam preparar o desmonte. Aceitaram passivamente a destruição da greve após a manobra da assembleia geral, propondo o mesmo caminho que a direção do CPERS e a não insistência de mantermo-nos em greve, pois dali não havia saído decisão alguma! Alguns núcleos de Porto Alegre não se responsabilizaram pela manutenção dos períodos reduzidos e sequer formaram comandos de greve regionais. No auge das mobilizações, quando cada assembleia regional tinha em média cerca de 100 presentes, foram limitadas as falas, numa reprodução da falta de democracia e de organização das assembleias gerais do CPERS.
        Todas estas correntes e núcleos de “oposição” falam pontualmente contra a burocratização sindical, mas os seus programas e o sindicalismo são os mesmos que o da atual direção; isto é, totalmente burocratizado. Repetem no CPERS à disputa entre PT e PSDB: na oposição se permitem todo o tipo de crítica; na direção mantém a mesma estrutura sindical burocratizada, da qual todas se beneficiam. A sua crítica é feita sob medida para consumo das bases; seus núcleos, na prática, são correias de transmissão da direção central; o seu programa e a sua atuação não permitem superar a burocratização sindical.

Sobre a realização do IX Congresso do CPERS
        Algumas destas correntes, através dos núcleos “de oposição” que dirigem, estão propondo tencionar a direção central para a realização do Congresso ordinário do CPERS. Até o presente momento, a diretoria não tocou no assunto e, no que depender dela, não tocará. Estatutariamente o CPERS deveria realizar congressos de dois em dois anos. O último foi em 2013, na cidade de Bento Gonçalves.
        O congresso, para ser produtivo, deveria ser precedido por uma longa discussão pré-congressual de teses; sobretudo na base. Nada disso foi feito. Pela atuação da direção central nesta “greve parcelada”, a realização do congresso em tão pouco tempo – menos de três meses para acabar 2015 – seria apenas uma formalidade burocrática que em nada contribuiria para a formação e a luta da categoria. Novos golpes seriam dados e o desânimo da categoria aumentaria. A burocracia sindical, utilizando-se do seu controle onipotente sobre o aparato, certamente asfixiaria o debate, reduzindo-o a uma farsa, uma trivialidade, cansando-o com inúmeros painéis e atividades culturais descolados da realidade direta da categoria. A pressão para a sua realização é importante, mas não pode estar desvinculada desta compreensão. É preciso propor um congresso para o ano que vem, com, no mínimo, 4 meses de debate de teses e programa, bem como um calendário e um método para fazer este debate chegar ao chão das escolas; caso contrário, ele se tornará apenas outra correia de transmissão da burocracia sindical para sabotar a nossa luta e desmoralizar a categoria.

A transferência do conselho geral para Santa Maria
        Após a destruição da greve e do retorno do sindicato a sua rotina burocrática, a direção do CPERS transferiu a reunião do conselho geral para Santa Maria. A desculpa oficial é acompanhar e “pressionar” o governo Sartori em uma audiência pública. Porém, trata-se de mais uma manobra visando fugir dos questionamentos e da pressão da base de Porto Alegre. O conselho geral foi bastante visado durante o período da “greve parcelada” e sofreu grandes pressões da base, sobretudo de Porto Alegre. Para ter maior liberdade de manobra, a direção central mudou o local da reunião para dificultar o acesso.

As lições da derrota
        A direção do CPERS foi vitoriosa na sua política de derrotar a força e disposição de luta da categoria contra o governo Sartori.  Esta se viu encurralada entre os ataques do governo e os golpes da direção do CPERS, que impediu que a luta contra o governo fosse radicalizada. A burocracia dirigente, na assembleia geral do dia 11/09, destruiu a possibilidade de uma greve consequente por tempo indeterminado para barrar os ataques.
        Estamos sofrendo o peso desta derrota no dia-a-dia das escolas, com uma carga de trabalhado excessiva, corte de repasses das verbas escolares, a ameaça permanente de parcelamento de salários, salários congelados, sucateamento da educação pública e todos os demais ataques encaminhados à Assembleia Legislativa pelo governo Sartori.
As correntes e muitos ativistas de “oposição” até podem falar contra a burocracia sindical, mas na sua prática não se encontra a denúncia persistente e a disputa para desmascará-la e propor uma política consequente no lugar da sua. Seu pensamento e programa são marcados pelo formalismo. Buscam alianças eleitorais com ela, como também não questionam seus métodos autoritários. Não estão dispostas a questionar os alicerces reais de toda a burocratização sindical, pois de uma forma ou outra fazem parte dela e procuram dissimular este fato com críticas vazias. Em suma: a derrota do nosso movimento grevista atual é o reflexo do controle da burocracia sindical sobre o CPERS, seja através da direção cutista ou das correntes de “oposição” que lhe orbitam.
Como sempre, a cada nova manobra burocrática que destrói a nossa luta, uma onda de apatia e descrença se espalha na categoria, mas precisamos resistir! Já apontamos que o principal entrave para a nossa luta é a burocracia sindical. Enquanto ela estiver presente no CPERS, amargaremos mais derrotas como a que vivemos nesta “greve parcelada”.
Apesar das traições da burocracia sindical, não podemos desanimar. A luta continua em defesa dos nossos direitos e contra os ataques do governo. Precisamos continuar nos organizando. É preciso que a base da categoria participe das plenárias, reuniões, assembleias do sindicato, fazendo propostas e impedindo as manobras da burocracia sindical. A partir de nossa organização por local de trabalho, poderemos construir a nossa independência de classe em relação aos governos e à burocracia sindical.
É preciso continuar construindo uma oposição consequente dentro do CPERS, que se enfrente politicamente com essa burocracia. Todos aqueles que entendem a necessidade desta organização que se somem nesta luta!