O Congresso do CPERS era pra ser um importante
espaço de debate e de encontro de sindicalistas de todo o estado, mas é subaproveitado
e mal organizado. As teses e resoluções não são devidamente debatidas e
refletidas. Há a preocupação em manter a maioria para controlar o aparato,
inclusive o Congresso. Não há esclarecimento de dúvidas e o debate franco,
aberto e leal nos núcleos (nem sequer existe pré-congresso). Muitas correntes
que lançaram teses distintas se unificaram em “chapas” na hora de eleger
delegados para constituir maiorias artificiais. Esta forma de tratar o
congresso do nosso sindicato é outro problema que reflete a burocratização
sindical.
Em razão da continuidade da greve, seria muito
importante ter transferido o Congresso de Bento Gonçalves para Porto Alegre,
mas infelizmente a rotina burocrática se impôs novamente sobre a luta concreta.
Certamente haverão inúmeros debates e divergências
no IX Congresso, mas, neste texto, gostaríamos de salientar dois temas
importantes:
1) A questão da proporcionalidade:
defendemos a proporcionalidade nos organismos de base, não na direção executiva
Os sindicatos são organismos de frente única de
todos os trabalhadores, independentemente de posições políticas, em torno de
reivindicações elementares. Modernamente, existe uma tendência de integração
dos sindicatos ao Estado, deixando estes de reivindicar esses direitos ou os
traindo sistematicamente. A burocracia sindical (CUT, CTB, Força Sindical, etc.)
é a representante desses interesses patronais nos sindicatos. Essas centrais
pelegas traem os trabalhadores principalmente apoiando os planos de arrocho da
burguesia. A democracia sindical é incompatível com essa política patronal. Nem
sempre é viável a convivência pacífica entre correntes classistas e a
burocracia. Já houve casos dessas centrais transformarem-se no braço armado da
burguesia, como nas greves das obras do PAC.
Os organismos do CPERS são: Assembleia
Geral, Congresso, Conselho Geral, Núcleos, Zonais e diretoria executiva. A
Assembléia Geral é composta pelos educadores sindicalizados. Deveria ser aberta
a todos os trabalhadores da educação. O Conselho Geral e o Congresso sindical
são organismos compostos proporcionalmente por representantes de todas as
opiniões políticas. Devem continuar sendo assim.
A
diretoria executiva não representa a opinião de toda a categoria, mesmo porque
essa opinião não existe. A categoria é dividida por opiniões diversas e muitas
delas antagônicas. Se unifica apenas nas campanhas salariais. As políticas
gerais das diversas correntes são distintas. A Construção pela Base combate os
planos de “austeridade” e a política liberal de todos os governos. Por exemplo:
combate o PNE. Ao contrário, a CUT (e as demais centrais) é a favor, por ação
ou omissão. A diretoria executiva é
eleita para defender uma determinada política, não todas as políticas.
Mesmo nas diretorias proporcionais, existe uma posição da maioria. Essa é a que
vigora. A burocracia não permitirá à minoria se expressar na imprensa sindical.
A minoria não terá mais vantagem com a proporcionalidade do que já não desfruta
como simples oposição. A proporcionalidade
de nada serve à democracia sindical e, muito menos, ao combate da
burocratização sindical.
As diretorias sindicais são organismos
executivos eleitos em torno de um programa. Não pode colocar em prática dois
programas. O programa classista que defendemos não pode ser expresso dentro de
uma diretoria burocrática, ou através da sua imprensa. A unidade para a luta é
a única que interessa aos trabalhadores, não a luta interna numa diretoria.
Isso serviria para confundir-nos com a mesma e sermos responsáveis
objetivamente pela sua política. A democracia sindical entre tendências
antagônicas é cada vez mais impossível. É preciso a mais completa diferenciação
de classe. Em geral, a defesa da proporcionalidade por parte da esquerda – CS,
MLS, PSTU, CST e outros – somente serve a propósitos aparelhistas e para a
negociata com a burocracia; nunca para combatê-la. Pressupõe o abandono da luta
contra a burocracia e a convivência pacífica com ela.
Ao contrário disso, a
proporcionalidade é um método necessário e obrigatório para os organismos não
executivos dos sindicatos: congressos, conselhos de representantes, delegados
sindicais, comissões de negociação, entre outros.
2) A
questão dos contratados: defendemos a efetivação de todos os atuais profissionais contratados e
achamos um erro os argumentos utilizados contra essa política (CLT e outros)
Os
professores e funcionários contratados “emergencialmente” são o setor mais
precarizado de nossa categoria, refletindo anos de aplicação do neoliberalismo
por sucessivos governos. A grande maioria desses trabalhadores são contratados
há mais de 10 anos, descaracterizando o caráter emergencial. Trata-se de uma
política dos governos que é consciente e premeditada para dividir a nossa
categoria, enfraquecer a luta sindical e conter gastos.
Algumas correntes – sobretudo
as ligadas ao PT – defendem como única “solução” para o problema dos contratos
emergenciais o concurso público. A precarização do trabalho na nossa categoria,
ao atingir dezenas de milhares de trabalhadores por muito tempo, não pode ser
revertida integralmente a curto ou médio prazo, através de uns poucos concursos
públicos. Nessas condições, a defesa apenas do concurso público, como solução
única para o problema, é alimentar uma ilusão e, na prática, compactuar com a
continuidade da contratação. A solução é mais complexa e requer um conjunto de
reivindicações, não apenas o concurso público. Sendo assim, a política destas
correntes deixa os trabalhadores contratados a mercê da precarização do
trabalho e largados a própria sorte. Um novo concurso público sem resolver este
grave problema apenas lançará servidores nomeados contra contratados,
aprofundando a divisão na base da categoria.
Ao contrário das correntes
sindicais petistas, que não levantam nenhuma política para os contratados,
CEDS, PSTU, MLS, CST e outros, procuram levantar reivindicações para este setor
da nossa categoria. Eles defendem a CLT para os contratados e afirmam que a
política de efetivação desmoraliza o concurso público e os planos de carreiras,
abrindo as portas para a admissão via efetivação. Não concordamos com estes
argumentos e com estas políticas, que também servem, de uma forma ou outra,
para aprofundar a divisão da nossa categoria.
O fim da contratação “emergencial”
pressupõe que o governo foi forçado a abandonar essa política. Defender a
efetivação dos contratados atuais não significa desmoralizar o concurso
público. Pelo contrário: a manutenção da política de contratação é que
desmoraliza o concurso público e os nossos planos de carreira. Ser a favor da
efetivação dos atuais contratados não significa defender admissão por
efetivação sem concurso público pra sempre. Trata-se de uma reivindicação
sindical circunstancial que serve para estender os mesmos direitos dos nomeados
aos atuais contratados,
desmoralizando a política de precarização do trabalho por parte dos sucessivos
governos. Para além destes, os futuros educadores só deverão ser efetivados por
concurso público, tornando sem sentido a política nefasta de contratação
emergencial.
Defender a efetivação dos
contratados, portanto, não significa se opor a realização de concursos públicos,
muito menos aos planos de carreira, pois lutamos pela efetivação somente dos atuais professores e funcionários contratados.
Desta forma, efetivá-los significa defender os planos de carreira, pois, além
de estender os seus direitos para todos os trabalhadores da nossa categoria,
garantiremos a coesão e a unidade em sua defesa. Entendemos que a proposta de
CLT legaliza a divisão da categoria em dois regimes de trabalho e, por isso
mesmo, contribui para enfraquecer a luta em defesa dos planos de carreira.
A nossa política deve refletir
o seguinte: uma só categoria, um só regime de trabalho! É por isso que
consideramos a efetivação como a única política classista para a questão dos
contratados. Contudo, também achamos importante algumas formulações diferentes,
mas que contemplam o mesmo conteúdo, qual seja: as teses que defendem a
“equiparação de direitos entre contratados e efetivos” e a “estabilidade no
emprego” aos contratados. É neste caminho que encontraremos a unidade em defesa
dos planos de carreira e da luta sindical contra a precarização das nossas
condições de trabalho.
Sabemos da dificuldade de
reinvidicar a efetivação dos trabalhadores contratados em uma conjuntura
defensiva como a que estamos vivendo. De qualquer forma, trata-se de uma forma
de aglutinar sindicalmente os setores mais precarizados da nossa categoria,
numa tentativa de levantar suas demandas e representá-los na luta de nossa
entidade.
O
PL 044 que tramita na Assembleia
Legislativa autoriza o governo do Estado a estabelecer as tais ditas parcerias
público privadas com a criação das OSs (organizações sociais). Essas OSs, que
na verdade são empresas privadas, serão contratadas e custeadas com dinheiro
público para prestar serviços ao Estado, como, por exemplo, o gerenciamento da
educação e dos demais serviços públicos. Essas terceirizações significam a
privatização dos serviços públicos e, em particular, da educação. Para o
funcionalismo, significa desemprego em massa; para os trabalhadores
terceirizados, mais exploração: mais carga de trabalho, baixos salários, sem
garantia dos direitos trabalhistas, a exemplo do que ocorreu na Argentina,
Grécia e outros países em que o capital transferiu os custos da crise para os
ombros dos trabalhadores. Para a população em geral, significará serviços cada
vez mais precários, deixando-a sem assistência dos serviços essenciais.
A hora é de fortalecer as ocupações dos
estudantes e a greve da categoria deve avançar para todo o funcionalismo
estadual. O seu eixo principal deve ser:
pela retirada imediata do PL 44 da Assembleia Legislativa. Esse PL tem como
objetivo privatizar, através das terceirizações, a educação, saúde e demais
serviços públicos. Caso não priorizemos esse eixo, amargaremos a maior derrota
dos últimos tempos. Mesmo com todas as dificuldades da nossa greve, todos devem
assumir o compromisso de fortalecê-la, somando-se às ocupações dos estudantes e
ajudando a esclarecer o que significa o PL 44. Somente essa nova tática fez
recuar em São Paulo a política de fechamento das escolas do governo tucano de
Geraldo Alckmin; e não é por acaso que o governo Sartori (PMDB) já organizou
sua tropa de choque para o desmonte das ocupações.
A pauta da nossa greve continua diversionista e
obscura. A política do reajuste e do Piso em primeiro plano tem ajudado o
governo a se esquivar perante a opinião pública. O momento é de colocarmos em
evidência o PL 44 por tudo o que ele significa, esclarecer a população, as
comunidades escolares e alertar que, para o governo, retirar este PL não custa
nenhum centavo. Se tivermos uma vitória defensiva como esta, poderemos nos
fortalecer para greves vitoriosas e mais fortes no futuro.
A greve da educação e o funcionalismo
público
O
PL 44 ataca, terceiriza e privatiza quase todos os setores do serviço público.
Por isso, o momento é de unificar os servidores e de colocar o bloco na rua; trabalhar
para promover atos massivos, a exemplo de 2015, superlotando as ruas e parar a
capital do Estado. Os sindicatos precisam disponibilizar ônibus para o interior
e trazer o máximo de servidores públicos. Somente unificando todo o
funcionalismo público em uma grande greve poderemos mostrar a força da nossa
mobilização, colocando o governo Sartori contra a parede para fazê-lo recuar de
seus ataques.
A nossa greve está em condições de
avançar graças às ocupações de escolas, que cresceram e estão ajudando a ganhar
a opinião pública. A direção burocrática do CPERS está vacilando mais uma vez.
Evita se comprometer diretamente com as ocupações dos estudantes e de fazer um
chamamento para a categoria se somar a elas. Não faz esforço para que todos os
seus sindicatos cutistas se movam para uma greve unitária de todos os
servidores públicos, mesmo tendo se comprometido no comando estadual de greve a
fazer um encontro estadual do funcionalismo público.
Também não quer propor grandes mobilizações
unitárias com todos os trabalhadores do serviço público pela retirada do PL 44.
Vacilam porque seus partidos (PT, PCdoB, PDT) têm compromisso com o projeto
neoliberal em curso. O PT a pouco governava e durante seu governo Dilma
encaminhou o PL 257 que congela salários, proíbe nomeações, aumenta a
contribuição previdenciária, institui os fundos previdenciários e acaba com os
direitos trabalhistas, tais como: vantagens, progressão na carreira e outros
(ou seja, a mesma política de Sartori). O governo golpista de Temer-PMDB segue
e intensifica esses ataques. Tanto o governo Dilma como o de Temer são
comprometidos com os planos de austeridades do capital.
A burocracia do CPERS teme perder o
controle do movimento. Temos que tencioná-la nos comandos regionais e estaduais
para que avance a luta. Caso contrário, será o fim dos serviços públicos no
Estado. A nossa luta somente terá perspectiva de vitória se avançar para uma
greve geral de todo o funcionalismo público. Devemos unificar e revitalizar as ocupações
das escolas pelos estudantes, com a participação da categoria e do
funcionalismo, ajudando a politizá-las e a levantar reivindicações contra todo
o ajuste fiscal.
Devemos continuar a mobilização de rua e ampliar o
número de escolas ocupadas, procurando unificar a pauta de todas as escolas
mobilizadas. Criar organizações do movimento por escola, por zonal, e buscar a
participação das comunidades escolares nas reuniões dos núcleos e das
assembleias. Devemos ampliar o comando
estadual de greve e os comandos regionais. Estes devem serabertos para todos os trabalhadores
grevistas, com direito a voz e voto. Devem deixar de ser um espaço somente
das correntes sindicais. Fundamentalmente, é preciso transformar a
greve numa grande agitação, mobilização de rua e ocupações contra o governo,
denunciando e desmascarando a sua política contra a escola pública e os
serviços públicos em geral. Nossa luta deve ser de fortalecimento e ampliação
das ocupações. A greve da educação deve avançar para uma greve de todo o
funcionalismo estadual pela retirada imediata do PL 44!
üA GREVE DEVE TER COMO PAUTA PRINCIPAL A RETIRADA
IMEDIATA DO PL 44!
üFORTALECER, SOMAR E AVANÇAR AS OCUPAÇÕES DOS
ESTUDANTES!
üAVANÇAR PARA UMA GREVE GERAL DO FUNCIONALISMO
PÚBLICO ESTADUAL!
üNENHUM PARCELAMENTO E CONGELAMENTO DE SALÁRIOS.
DINHEIRO NÃO FALTA, SOBRA PARA OS EMPRESÁRIOS. O GOVERNO MENTE.
üDENÚNCIA DA BUROCRACIA SINDICAL, QUE NÃO ORGANIZA,
NÃO MOBILIZA E FECHA O COMANDO DE GREVE.
üORGANIZAÇÃO AMPLA POR ESCOLA, POR ZONAL E POR
CIDADE.
üUM COMANDO DE GREVE ABERTO A QUALQUER GREVISTA QUE
DELE QUEIRA PARTICIPAR, COM DIREITO À VOZ E VOTO. üCONTRA O PL 190 “ESCOLA SEM PARTIDO”!
Há um crescimento da direita
conservadora e do fascismo no mundo. Isto se dá como o reflexo do acirramento
da crise capitalista internacional e do patrocínio ideológico, político e
militar da grande mídia e de diversos partidos e governos em diferentes países.
No Brasil não é diferente. Temos visto o aumento da influência de personalidades
e deputados como Jair Bolsonaro (PSC), Eduardo Bolsonaro (PSC), Marcos
Feliciano (PSC), Alexandre Frota, da bancada evangélica como um todo e, no Rio
Grande do Sul, de políticos como Marcel Van Hattem (PP).
Sem ter sido formalmente eleito, Van
Hattem assumiu sua cadeira como deputado estadual na ALERGS em razão da
nomeação de Pedro Westphalen (PP) para a secretaria dos transportes do Estado.
Com uma formação intelectual neoliberal, defesa ideológica escancarada do
capitalismo e proximidade com o pensamento político da revista Veja, Van Hattem
cumpre o papel de propagandista e agitador do fascismo no Rio Grande do Sul.
Beirando uma espécie de paranoia
anticomunista (uma espécie de McCartismo brasileiro), Van Hattem vê comunismo
no PT, nas redações de jornais da grande mídia, na suposta “manipulação de
estudantes” para ocupar as escolas públicas. Em editorial publicado na ZH
(31/05/2016), Van Hattem afirma que os estudantes não ocuparam as escolas por
iniciativa própria, mas orientado “por sindicatos e partidos de esquerda”, além
de classificá-los como “invasores”. Como é impossível negar o caos gerado pela
política que defende (neoliberalismo e o capitalismo) para a sociedade e os
serviços públicos, faz demagogia ao reconhecer formalmente a situação dos
professores e do sucateamento das escolas públicas. Logo a seguir, procura
criminalizar sutil e ideologicamente o movimento autônomo dos trabalhadores e
dos estudantes.
O deputado do PP se postula como teórico
desta direita, visando intensificar o ódio da classe média contra o socialismo,
a esquerda ou mesmo qualquer movimento que questione a ordem vigente. Como a
crise econômica obrigou a burguesia a acabar com a tolerância a governos
populistas, a sua campanha ideológica visa radicalizar o ódio na pequena
burguesia contra os trabalhadores e em defesa do capitalismo, tirando do
caminho qualquer obstáculo, real ou imaginário, inclusive ajudando a dar base
para golpes de estado visando a intensificação da retirada de direito dos
trabalhadores. Van Hattem esteve ao lado de Michel Temer na posse do governo
golpista. Defende a PL 44 e toda a política de privatização; ou seja, todo o
programa que aumenta o caos dos serviços públicos e da educação pública. Este
caos é o verdadeiro motivo das ocupações de escola, seja em São Paulo, Rio de
Janeiro ou no Rio Grande do Sul.
O ódio – amplamente disseminado pela
grande mídia – com que Van Hattem e o PP tentam jogar a população contra as
ocupações e o movimento dos trabalhadores, cega qualquer tipo de discussão
racional. O golpe do impeachment, diferentemente do golpe militar de 64 está se
consumando em partes: o governo sustenta as políticas de austeridade, os
ideólogos e teóricos da direita disseminam via grande mídia seu pensamento
reacionário e de ódio, auxiliando o que o governo Temer não pode dizer
abertamente, preparando as bases na opinião pública para aprofundar as consequências
nefastas da política golpista. Não foi casual que Alexandre Frota – um
estuprador confesso – tenha ido ao MEC entregar um documento apresentando um
“novo” programa para a educação, cujo conteúdo é idêntico ao programa
educacional da ditadura militar e ao sustentado por Van Hatten a partir do PL
que defende, conhecido como “Escola sem Partido”. O partido de Van Hattem, o
PP, surgiu a partir da ARENA (o partido dos militares durante a ditadura
militar) e é a sigla de deputados como Paulo Maluf, conhecido pela corrupção
(“rouba, mas faz”) e por sustentar a cultura do estupro (aos assaltantes e
estupradores recomendava: “estupra, mas não mata”).
Personalidades como Van Hattem, Jair
Bolsonaro, Alexandre Frota e outros visam apenas soltar a tampa da panela de
pressão das contradições da sociedade capitalista, justificar a repressão, a
ascensão do fascismo e de políticas que criminalizam os trabalhadores. A sua
real intenção com este editorial é angariar o apoio de agressores contra as
ocupações e a greve dos educadores. Tal como Frota, Van Hattem é defensor de
uma escola tradicional, voltada a formar mão de obra barata para o mercado e
sem o menor resquício de democracia (o PL “Escola sem partido” deveria se
chamar “escola sem democracia”). A
destruição dos serviços públicos não poderá ser efetivada apenas por medidas
parlamentares, mas precisará recorrer à utilização do fascismo, ao qual o PP
ajuda a pavimentar o caminho.
Os trabalhadores conscientes devem estar
atentos ao papel cumprido pela direita radical e a “caixa de Pandora” que
pretendem abrir. ZH, escondendo-se atrás da falsidade sobre “liberdade de
imprensa”, apenas ajuda a disseminar as posições reacionárias que mantém o
capitalismo em
decadência. A divulgação de vários editoriais de Van Hattem
transforma o jornal da RBS em cúmplice da ascensão do fascismo no país. Não
esqueçamos que antes de assumir o poder, Hitler e os nazistas desenvolveram um
longo trabalho parlamentar e de discussão ideológica com a sociedade visando
dominar e confundir a opinião pública alemã. O pseudo-reformismo do PT e de
alianças também preparou o caminho para o surgimento de aberrações como Van
Hattem. Cabe aos trabalhadores conscientes tirar as conclusões e preparar a
frente única de resistência à sua ascensão.
A nossa
luta ainda é defensiva e de propaganda do socialismo.
Vivemos
uma ofensiva da burguesia para a retirada das conquistas dos assalariados. As
greves, em geral, são derrotadas. Quando vitoriosas, a burguesia retira com a
mão direita aquilo que é obrigada a conceder com a esquerda. Os educadores são
obrigados a fazer greve todos os anos num círculo vicioso onde mais perdem do
que ganham. A atual direção do CPERS não rompeu com esta lógica e, por toda a
sua política, não pode criar as condições para superarmos esta debilidade. Ao
contrário: por defender um sindicalismo economicista e de cúpula, somente pode
aprofundar esta tendência.
As nossas lutas salariais
devem estar inseridas num plano de controle da sociedade pelos trabalhadores,
ou seja, do apoderamento dos trabalhadores sobre os meios de produção,
derrubando o poder da burguesia. Devemos fazer a propaganda do socialismo com base
na realidade, conscientizar pela propaganda concreta. Mostrar que não existe
saída dentro do capitalismo. Como demonstrou a experiência com os governos do
PT, o capitalismo não pode ser reformado. Enquanto este sistema econômico
existir, somente poderemos esperar maior arrocho, miséria, desemprego e
guerras. O capitalismo deve ser derrubado por uma revolução proletária. Apenas
na luta pelo socialismo podemos arrancar da burguesia uma ou outra conquista,
porque a mesma somente concede alguma reivindicação importante na iminência de
perder tudo.
Devemos
fazer do CPERS uma escola de socialismo e uma real frente única dos
trabalhadores. Para isso, temos que enfrentar e derrotar a burocracia sindical,
que atua como correia de transmissão da política dos governos. Devemos realizar
um trabalho permanente de conscientização. É indispensável unificar a luta com
os demais trabalhadores. Somente na luta direta é que criaremos as condições
para derrubar o sistema capitalista e construir a sociedade socialista.
CONJUNTURA
INTERNACIONAL
Os trabalhadores estão pagando
os custos da crise econômica através dos chamados planos de austeridade que
preveem o aviltamento dos salários e das condições de vida. A queda tendencial
da taxa de lucro decreta a agonia irreversível do capitalismo, que retorna à
extrema exploração do trabalho do século XIX. A internacionalização da economia
está em contradição com a existência dos estados nacionais. Daí a necessidade
de submissão política e econômica dos estados periféricos às instituições
internacionais de poder imperialista: FMI, Banco Mundial, Comissão Européia,
FED, OTAN, Clube de Paris, Organização de Shangai. Em cada país, o verdadeiro
poder concentra-se em instituições corporativas, tais como: o exército, as
polícias, o judiciário, os bancos centrais, que devem ser independentes do voto
popular e dependentes do imperialismo.
As
disputas inter-imperialistas estão exacerbadas. Após a segunda guerra mundial,
a hegemonia econômica e militar dos Estados Unidos obscureceu, em parte, essas
contradições. O imperialismo unificou-se no combate ao “socialismo” estalinista
(o bloco soviético e a China). Com a sua derrocada, o império ocidental
expandiu-se em direção ao leste e à Ásia. A maioria dos países da antiga União
Soviética foram assimilados pela OTAN. A Rússia foi entregue a máfias de
saqueadores vinculados ao ocidente. A China transformou-se num polo industrial,
paraíso das multinacionais e sob condições de trabalho semiescravas.
Após
a restauração capitalista predatória, a retomada econômica propiciou ao governo
Putin o retorno à tradição nacionalista, baseada na grande produção de petróleo
e gás e respaldada no poderio militar herdado do passado. Na China, o vigoroso
crescimento econômico controlado pelo capitalismo estatal criou as condições
para a mesma aspirar à independência política. Tanto Rússia como China
procuraram integrar-se ao capitalismo mundial na condição de parceiros. Esse
status lhes foi negado pelo imperialismo hegemônico. Desde então, toda a
geopolítica mundial gira em torno desse conflito entre o antigo imperialismo e
os novos aspirantes.
Modernamente,
o imperialismo especializou-se numa nova modalidade de golpes de Estado, que
ficou conhecida como “revoluções coloridas”. Consistem na derrubada de governos
através de movimentos populares orquestrados por ele através dos seus agentes
internos: partidos, imprensa, ONGs, etc. Ao mesmo tempo, criou exércitos
mercenários (Al Qaeda, Frente Al Nusra, Exército Sírio Livre, Estado Islâmico)
para a eventualidade de intervenções militares. Estes servem ao mesmo tempo
como o grande inimigo, a justificar guerras de ocupação, e como amigos
encobertos. O imperialismo patrocinou “revoluções coloridas” na Geórgia,
Ucrânia, tentou desestabilizar governos, como no Irã, Venezuela, Equador,
Argentina e agora no Brasil. Apoderou-se também dos movimentos da chamada
primavera árabe, derrubou o governo líbio e tenta derrubar o governo sírio.
Trata de cercar os seus rivais, Rússia e China, combatendo a sua influência
sobre outros países, desestabilizando esses governos e intensificando os
conflitos regionais. Procura destruir os BRICs. Hoje, o epicentro da crise
internacional se concentra na Síria. Embora tenha arrefecido um pouco, essa
crise não tem perspectiva de solução porque isso não interessa aos Estados
Unidos. A sua política de caos permanente serve de justificativa para sua
intervenção em todo o Oriente Médio e Ásia Central.
Infelizmente,
uma parte da esquerda (PSTU, CST, etc.) tem apoiado essas intervenções
imperialistas, diretas ou indiretas, contra semicolônias (Líbia, Síria), sob
pretexto de tratar-se de revoluções populares democráticas contra ditadores
sanguinários. Não se trata de quão sanguinárias sejam essas ditaduras, mas de
que o imperialismo é o inimigo principal dos povos. Essas ditaduras derrubadas
pelo proletariado é a revolução que triunfa, e pelo imperialismo é a
contra-revolução. A defesa das nações oprimidas contra o imperialismo é um
princípio histórico do proletariado.
Em
alguns casos, o início desses movimentos foram realmente populares (Tunísia,
Egito, Síria), mas logo dominados pelos agentes do imperialismo,
principalmente, após sua transformação em guerra civil. Essa esquerda chegou ao
cúmulo de apoiar o golpe fascista na Ucrânia. Para justificá-la, precisaram
maquiar a realidade: subestimar a intervenção imperialista, relativizar o
fascismo e inventar um suposto movimento independente. Uma revolução é uma luta
pelo poder de uma classe contra outra. Nesses países, o proletariado não conta
com qualquer organização política independente e na maioria nem sequer com
sindicatos. Não se pode falar em revolução. A
Rússia possui bases militares na Síria. A sua destruição significaria o
fechamento do seu acesso ao Mediterrâneo e o confinamento da sua frota do mar
negro. Por isso, viu-se obrigada a intervir no conflito. Mas essa intervenção
não visa a defesa da independência nacional Síria, mas proteger os interesses
russos e chegar ao um acordo com o imperialismo.
Da
mesma forma que não se pode apoiar as intervenções diretas ou indiretas do
imperialismo americano-europeu contra semicolônias, não se pode apoiar a
intervenção russa, que age também como potência e exclusivamente em função dos
seus interesses. Não defende as nações oprimidas e muito menos o proletariado. Não
se pode apoiar a sua política externa e os seus acordos com o imperialismo.
Isso não significa que os seus bombardeios ao Estado Islâmico e à Al Qaeda não
sejam úteis ao povo sírio. Nem mesmo se pode apoiar a intervenção russa no
leste da Ucrânia ou na Criméia, o que também não significa que não seja útil ao
proletariado o combate russo ao fascismo ucraniano. Mas este é circunstancial.
Caso amanhã o proletariado ucraniano tentasse a sua revolução, Putin enviará
para lá o seu próprio fascismo e logo chegará a um acordo com o governo
fascista ucraniano e com o imperialismo. O proletariado será sempre o inimigo
principal da burguesia internacional, seja, russa, chinesa, americana ou
europeia.
NACIONAL
A conjuntura nacional está
marcada pelo impeachment da presidente Dilma Roussef. Concorreram para isso: a
crise econômica, os interesses imperialistas e a própria política capituladora
do governo. A crise econômica internacional atinge duramente o país. A retração
do comércio mundial provoca a recessão interna, o desemprego e as receitas
caem. A economia está estagnada e em recessão. Estima-se que o país já conta
com 10 milhões de desempregados. A crise trouxe consigo a queda internacional
dos preços das matérias primas, de cuja exportação o país é dependente. Os
alardeados “fundamentos sólidos” da economia consistem apenas na dependência
dos produtos primários e dos capitais especulativos. O Brasil é uma semicolônia
dependente da indústria dos países imperialistas. Não desenvolverá uma
indústria nacional. A enorme dívida pública consome perto da metade do
orçamento nacional.
Sob a ameaça do impeachment,
Dilma optou por uma política ainda mais recessiva para agradar ao capital,
delegando essa tarefa ao banqueiro Joaquim Levy: desinvestimento, corte nas
despesas públicas, nos programas sociais, juros altos e isenções fiscais. Essa
política contenta a burguesia, mas ao mesmo tempo agrava a crise social, caldo
de cultura do movimento golpista. Inicialmente, os governos petistas surfaram
na onda da ascensão do comércio mundial e nos altos preços das commodities.
Isso tornou viáveis os mesquinhos programas sociais: bolsa família, minha casa
minha vida e a elevação do salário mínimo. Entretanto, no plano macro econômico
sempre praticaram a política liberal: juros altos e incremento da dívida
pública. Não foi solucionada nenhuma reivindicação fundamental da sociedade.
Pode-se caracterizar esses governos como liberal
populistas. Nem sequer reformistas. O discurso de “governo em disputa”
sempre foi uma farsa para iludir os ingênuos e justificar a defesa do
indefensável propagada pela burocracia e pela esquerda governista.
Com
a crise, as condições para esses programas sociais deixaram de existir. A
política do governo passou a ser o corte no atacado daquilo que foi dado no
varejo. A conta foi apresentada aos trabalhadores através de um brutal ajuste
fiscal. A política recessiva, já em plena recessão, afastou do governo os
trabalhadores e a classe média, tornando-o ainda mais refém da burguesia.
Restou o apoio da burocracia sindical (CUT), estudantil (UNE), camponesa (MST),
de uma esmirrada vanguarda de esquerda e de uma minoria dos trabalhadores. Esse
desgaste foi o caldo de cultura do impeachment. O PT e a direita tradicional
são as duas faces nacionais do imperialismo. Os segundos são os representantes
mais fiéis dos interesses americanos.
A
política de crescimento do PT se centrou na Petrobrás, responsável por 60% das
obras do PAC. O governo Lula contraiu 10 bilhões de dólares de empréstimos da
China, para inversão na Petrobrás. Na questão do pré-sal, o PT instituiu o
regime de partilha que não é do interesse das petroleiras americanas e
europeias, que exigem o modelo de concessão. Este modelo foi prometido por José
Serra à Chevron e aprovado no congresso com o apoio do governo Dilma. Não por
acaso, a Lava Jato e a grande imprensa procuram atacar a Petrobrás, para abrir
espaço para as petroleiras imperialistas, conhecidas como Big Oil. A Lava Jato
não foi uma investigação contra a corrupção, mas um complô contra o PT, tendo
como finalidade depor Dilma, impedir a candidatura de Lula em 2018, destruir a
Petrobrás e entregar o Pré-sal às multinacionais. Não combate a corrupção e não
se restringe à legalidade vigente. O combate à corrupção é um pretexto, em
parte real e em parte forjado, que encobre a corrupção dos seus adversários.
Mas
o “pecado capital” do PT diz respeito à participação do Brasil nos BRICs. Por
isso, foi desestabilizado pelo imperialismo através da Operação Lava Jato
(Sérgio Moro, os procuradores e a Polícia Federal, que têm estreitas ligações
com o imperialismo e com o PSDB), com a cumplicidade do STF, do procurador
geral e do Congresso Nacional. A mobilização da classe média coube
principalmente a organizações financiadas por corporações americanas (Irmãos
Koch e George Soros), como o MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem pra Rua. A Lava
Jato transformou as suas “investigações” em espetáculo público e seletivo,
quando se tratava de informações sigilosas, mas que eram vazadas para a Rede
Globo, com quem estava em estreita dobradinha. Constituiu-se numa inquisição
acima das leis do país. Houve escassa denúncia da sociedade. Grande parte da
esquerda (PSOL, PSTU) a apoiou. Inclusive, o próprio PT. Somente assim, essa
campanha golpista ganhou a opinião pública, sem a qual o impeachment seria
impossível.
A
esquerda dividiu-se. Uma parte alinhou-se ao governo Dilma, em nome da defesa
da democracia, abrindo mão da denúncia dos seus planos de ajuste antipopulares.
Outra parte (PSTU, setores do PSOL) defendeu a criação de um suposto terceiro
campo, denunciando corretamente os planos de austeridade e levantando palavras
de ordem tais como “Fora Todos e Eleições Gerais”. O MRT defendeu a proposta de
Assembleia Constituinte. O “Fora Todos” seria correto no campo da propaganda,
mas como proposta de agitação imediata implica em apoiar o Fora Dilma, que é
sinônimo de impeachment, porque os trabalhadores não estavam em condições de
derrubar Dilma por si próprios. A proposta de eleições gerais significa trocar
seis por meia dúzia, porque qualquer eleição, na atual conjuntura, leva
necessariamente a uma nova hegemonia da direita. O mesmo se pode dizer da
proposta de Constituinte. Na prática, esses setores representam uma linha
auxiliar da direita golpista. Os primeiros sem sequer reconhecem a existência
de golpe, que não se define pela legalidade formal, mas pelo casuísmo jurídico
e político.
A
Construção pela Base entende que o governo Dilma é indefensável, pela sua
política de ajuste contra os trabalhadores, que no fundamental é a mesma
política dos seus adversários. Julgamos que o golpe se abate principalmente
contra os trabalhadores, por criar uma situação mais favorável aos ataques
contra eles. O PT até o último momento tentou se acertar com os golpistas.
Temer acenou com a paz após o golpe, dizendo que a “sociedade não pode
continuar dividida”. Para nós, ser contra o impeachment não implicou em apoio
ao governo. Pelo contrário, a única forma de combater o golpe seria denunciar a
política de arrocho, que era a plataforma conjunta tanto do governo Dilma
quanto da oposição de direita. Passado o impeachment, a nossa tarefa consiste
na continuidade do combate à retirada de direitos sociais, trabalhistas e
previdenciários, que será praticada a fundo pelo novo governo, não sem o apoio velado
do PT e sua base sindical (CUT, CTB), que nunca moveram um dedo contra esses
ataques. Continuarão fazendo o mesmo com o próximo governo. A vitória dos
trabalhadores contra os ajustes liberais é impossível enquanto forem dirigidos
por essa burocracia traidora. A sua primeira tarefa é desmascarar os inimigos
na trincheira, como pré-condição para poder enfrentar os inimigos explícitos: o
governo e os partidos patronais.
ESTADUAL
O governo Sartori (PMDB),
gerente da burguesia gaúcha e alinhado com as políticas do imperialismo,
assumiu o Estado, dando continuidade ao projeto neoliberal em curso no país.
Aplica aqui os planos de ajustes do capital na perspectiva de repassar os
custos da crise financeira para os trabalhadores. Nos primeiros dias do seu governo,
suspendeu por 180 dias as nomeações de aprovados em concursos, e deu calote nos
fornecedores do Estado, contraditoriamente logo em seguida sanciona os aumentos
dos salários do governador, secretários e deputados. Criou o caos na saúde
pública, em função da corte do repasse financeiro para os hospitais que prestam
atendimento ao SUS, deixando milhares de trabalhadores no Estado sem saúde.
No
primeiro ano do seu governo, Sartori impôs o congelamento, parcelamento dos
salários, corte de verbas públicas da saúde, educação, segurança, encaminhou
projetos para ALERGS que atacam a previdência, cria a Lei de Responsabilidade
Fiscal, extingue fundações estaduais, além disso, penalizou a população com o
aumentou dos impostos. Como parte
dos ataques o governo divulgou a possibilidade de demissões dos servidores
públicos (efetivados e temporários), com um argumento legalista, embasado na
Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada em seu governo, que prevê o
descompromisso do governo com os gastos sociais que exceda a arrecadação do
Estado, inclusive possibilitando demissões de servidores públicos. O governo
espalha o terror quando declara a possibilidade de acabar com a estabilidade
dos servidores, desta forma preparando o terreno político para demissões. Além
disso, cortou os repasses financeiros das escolas, não pagou o 13º salários,
atrasou o pagamento das férias, e continua com a precarização do trabalho
através de mais contratações de trabalhadores temporárias.
Com toda a crise econômica no
Estado, o governo penaliza somente os trabalhadores, pois destina R$ 14 bilhões
de reais em isenções fiscais a grandes empresas (Gerdau, GM, etc.) e 13% do
orçamento anual para pagamento da dívida pública. Permite a farra com o
dinheiro público, pois efetivamente não ataca os sonegadores de impostos, tendo
em vista que R$ 6 bilhões de reais são sonegados no Rio Grande do Sul. Enquanto
os sonegadores atuam livremente a população amarga com aumento de impostos.
A
grande mídia (ZH), braço ideológico do governo Sartori, espalha mentiras para
convencer a opinião pública de que o problema nas fianças do Estado é a folha
de pagamento e a previdência dos servidores públicos; em troca recebem isenções
fiscais e a cumplicidade do governo na sonegação de impostos. A União não fica
atrás, destina 47,5% do orçamento anual para o pagamento da dívida pública,
enquanto o gasto com saúde e educação somam juntos, 7%. Enquanto os serviços
públicos estão sendo destruídos, a burguesia e os agiotas internacionais são os
beneficiados pelos governos de plantão.
Os
ataques não cessam: o governo Sartori sancionou a lei 202/2012 que amplia as
Parcerias Público Privadas (PPPs), e modificou a lei 12.234/2005 acelerando as
privatizações no Estado. Em nível federal o governo Dilma encaminhou para
Câmara dos deputados a PL 4330/04, que regulariza as terceirizações em todos os
setores, aumentando a exploração com aumento da jornada de trabalho, maior
rotatividade e mais arrocho salarial.
Assim
como o governo Sartori, os sucessivos governos que passaram pelo Piratini
mantiveram e aprofundaram essa lógica perversa do capital, porque estão unidos
no mesmo projeto neoliberal do Estado mínimo. Para os trabalhadores o mínimo, e
para o grande capital o máximo para garantir as suas taxas de lucros. Todos os
governos estão juntos para passar os custos da crise para os trabalhadores.
BALANÇO DO
CPERS
A principal característica da
situação interna do CPERS se expressa naquela compreensão de que o sindicato
está afastado da base e tem levado a categoria a um acúmulo de derrotas, perda
de direitos, sem novas conquistas. Os interesses da base não se expressam no
CPERS, que fala uma língua diversa da que se fala no chão da escola. Isso se dá
desta forma porque o sindicalismo praticado pelo CPERS é de cúpula e atrelado
ao Estado burguês, ficando de costas para as reais necessidades da base. Assim,
muitos colegas, equivocadamente, querem “punir” o sindicato desfiliando-se.
O problema central do CPERS e dos
demais sindicatos e centrais (CUT, CTB, Força Sindical, CSP-Conlutas, Intersindical)
é a burocratização sindical, que significa a transformação dos sindicatos em
agências do Estado. Este legalismo é uma das formas da burocracia emperrar as
lutas. A burocracia sindical é uma casta que se autoprotege contra a
organização de base, ou seja, é inimiga visceral da soberania das bases. É por
isso que a principal causa da situação atual do CPERS (a desorganização, a
desmoralização, a derrota das lutas) é a burocracia sindical, que o mantém
afastado da base e próximo do governo. Enquanto o CPERS estiver dirigido por
essa burocracia, a unidade real da categoria é impossível, pois os interesses
de ambos os polos são opostos.
A cooptação dos dirigentes
sindicais, correntes ou partidos para defesa dos governos e patrões, se dá fundamentalmente
através de um sistema de corrupção desses, que passam a ter privilégios frente
ao restante da categoria. Esses privilégios vão desde uma simples dispensa do
trabalho, da utilização da máquina do sindicato em proveito próprio (carros,
computadores, celulares, verba salarial de representação sindical, diárias,
viagens e outros), até o recebimento de vultosas somas pela assinatura de
acordos rebaixados, concessões de viagens nacionais e internacionais,
patrocínio para atividades dos sindicatos, liberação do ponto, financiamento de
campanhas eleitorais, contratação de parentes, amigos e correligionários para a
estrutura sindical. Nenhuma corrente sindical que passou pela direção do CPERS
combateu estas graves distorções.
Na era da decadência imperialista,
os sindicatos somente podem ser independentes na medida em que tenham
consciência de serem, na prática, os organismos da revolução proletária. Existe
uma característica comum na degeneração dos sindicatos de todo o mundo: a sua
vinculação cada vez mais estreita com o poder estatal. Este processo é
característico de todos os sindicatos, sejam dirigidos por partidos, ou que se
reivindique “neutro” e “sem partido”. Este fato, por si só, demonstra que a
tendência a estreitos vínculos não é própria de tal ou qual partido ou
indivíduo, senão que provém de condições materiais da economia capitalista
monopolizada. Por tudo isso, os sindicatos ou são revolucionários socialistas
ou são correias de transmissão do capital imperialista.
A maioria das correntes sindicais do
CPERS, tanto as da direção, como as que não participam dela, estão a serviço,
mais ou menos disfarçadamente, da política do governo e da manutenção desta
estrutura sindical burocratizada. A atual direção cutista do CPERS (PT-CUT,
PCdoB-CTB, PDT), eleita em 2014, educa implicitamente a categoria para
aceitação do capitalismo, propondo apenas
a sua “reforma”, como se isto fosse possível. No
máximo, questiona o governo de plantão no Palácio Piratini, desde que não se
trate de um governo petista. Jamais questiona o capitalismo e suas
instituições; nem, a democracia burguesa, que é uma ditadura do capital.
Desviam as lutas para o terreno eleitoral, como se a eleição dos seus partidos
fosse a solução para os nossos problemas. No terreno sindical, as lutas se restringem
a objetivos estritamente econômicos, sem mostrar a responsabilidade do
capitalismo. Esse método é conhecido como economicismo. Por tudo isso, o CPERS
tem formado a categoria numa consciência pequeno-burguesa, oposta ao classismo.
Esta conscientização – inclusive promovida por “cursos de formação” – é um
grande empecilho para a unidade e a luta coerente de nossa categoria.
A gestão da atual direção do CPERS
se caracterizou pelo autoritarismo, aprofundamento da burocratização, da defesa
do governismo petista e por não cumprir as resoluções aprovadas em congressos e
assembleias gerais. A desfiliação do CPERS da CUT, ocorrida em março de 2015,
foi uma farsa, pois o sindicato continua sendo correia de transmissão de sua
política sindical e ainda destina o pagamento mensal para a CNTE, que é o
“braço educacional” da CUT. O fundo de greve com o dinheiro destinado à CUT,
aprovado em assembleia geral, nunca foi colocado em prática pela direção
central. O Conselho Geral atual e as direções de núcleo sempre ratificam, no
fundamental, toda a política da direção estadual.
As assembleias gerais chegaram ao
auge do autoritarismo com a instalação de grades e o impedimento de
manifestação das posições das correntes sindicais minoritárias, como a nossa;
bem como a contratação de seguranças privados, cuja função é dificultar e
intimidar qualquer forma de oposição. O resultado catastrófico dessa política
ditatorial que serve unicamente para conter as lutas se deu na assembleia geral
de 11 de setembro de 2015, no Pepsi On Stage, onde a greve contra o governo
Sartori, com grandes possibilidades de mobilização, foi desmontada por um golpe
da direção central, que se negou a contar os votos sobre a continuidade do
movimento. O resultado desta traição foi a drástica diminuição da participação
da categoria nas assembleias gerais, a aprovação de toda a política de “ajuste
fiscal” do governo Sartori e a descrença dos colegas de base numa saída
coletiva, voltando-se para o individualismo.
O principal acontecimento
sindical da atual gestão do CPERS foi a greve massiva contra o governo Sartori
(PMDB) e o seus aliados (PP, PPS, PSDB, PSB, PSD, PRB, PV). A grande
mobilização dos servidores públicos foi uma resposta aos ataques do governo
estadual e não mérito da política sindical do CPERS. Muito antes pelo
contrário: o CPERS e a CUT se colocaram à frente do movimento para melhor
domesticá-lo e freá-lo. A direção central apresentou à categoria a tática de
“greve parcelada”, caracterizada por fazer alguns dias de greve, depois retornar
ao trabalho, voltando à greve alguns dias depois. Esta “tática” foi defendida
como uma “nova forma inteligente de fazer greve” para, supostamente, “dialogar
com a categoria e estar de acordo com a sua vontade”, mas não passou de uma
forma de arrefecer e acalmar o descontentamento e indignação da nossa
categoria. Da mesma forma, o Fórum dos Servidores Públicos, que se constituía
numa unidade de cúpula entre os sindicatos do serviço público, não serviu para
unificar o funcionalismo público, mas criou uma grande muralha burocrática que
visava conter a indignação da base de todas as categorias. As únicas greves que
defendeu e patrocinou foram as antigreves da CNTE-CUT, cujas principais
reivindicações eram de defesa do Plano Nacional de Educação (PNE) do governo Dilma.
A atual direção do CPERS pratica um
sindicalismo rebaixado e incoerente, que é incapaz de gerar confiança na base
da categoria. Critica corretamente os ataques e os cortes orçamentários de
Sartori, mas omite os de Dilma, que são essencialmente os mesmos. Denuncia as
Organizações Sociais e PPPs com que o governo Estadual pretende privatizar a
educação pública gaúcha, mas apoia o PNE, cuja essência é privatizar a educação
pública em geral. A Articulação Sindical (CUT-PT) e o PCdoB – principais correntes
políticas da direção – defenderam também a Reforma do Ensino Médio do governo
Tarso, bem como a alteração nos planos de carreira do magistério.
O Sineta – jornal oficial do CPERS –
é usado inescrupulosamente para fazer propaganda política da atual direção, sem
a menor preocupação com a organização de base, a orientação para um trabalho
com os representantes de escola e a diversidade de opiniões. A burocracia
dirigente pratica com os órgãos de imprensa do CPERS a mesma política que
critica na mídia burguesa; qual seja: monopólio, distorções e propaganda para
favorecer apenas para a sua fração política. A diversidade de opiniões da
categoria, assim como a do povo brasileiro, não estão representados na imprensa
do CPERS, nem na mídia burguesa.
Por tudo isso, continuamos alertando
a categoria e a vanguarda do CPERS sobre a necessidade premente de expulsar a
burocracia sindical do CPERS e todas as correntes sindicais burocratizadas, que
se caracterizam por relativizar ou mesmo negar este problema. Precisamos concluir
a desfiliação do CPERS da CUT, desfiliando-o da CNTE e mudando a sua orientação
sindical e política. É preciso derrotar esses agentes da burguesia no nosso
sindicato, coisa que não pode acontecer espontaneamente. Sem uma direção que dê
consciência à força elementar dos trabalhadores, a democracia sindical não é
possível. Devemos atuar em todas as instâncias do sindicato fortalecendo uma
oposição classista, como faz a Construção pela Base. Um CPERS democrático,
classista, independente do governo só pode surgir com a derrota da atual
burocracia e na perspectiva da luta pelo socialismo.
EDUCAÇÃO
A Educação
pública como ferramenta de transformação social.
A Educação pública, se encarada como ferramenta de
transformação social (voltada para a construção coletiva de conhecimento), pode
ser base fundamental para impulsionar o esclarecimento da classe trabalhadora.
Escolas devem ser espaços de diálogo constante,
lugares propícios para o desenvolvimento intelectual e emocional, onde a arte,
filosofia e as ciências (como produtos da criatividade, imaginação e
racionalidade humana) devem ser constantemente moldadas pela colaboração e
interação de todos, em construção coletiva, erigida sobre a herança cultural
universal da humanidade.
O desenvolvimento da
autonomia racional e criativa da pessoa humana, deve ser o objetivo máximo de
toda educação, destacando sempre que tal só pode se efetivar na interação
harmoniosa , construtiva e cooperativa entre indivíduo e coletividade.
Sabemos que, no contexto do capitalismo, a educação
sofre, submetida aos interesses do mercado, que força o Estado a servir aos
interesses da classe burguesa. Uma educação para formação de mão de obra
acrítica e passiva é a consequência da implementação dos projetos liberais
combinados ao conservadorismo no campo da política institucional, que pesa e
tenta moldar a sociedade através do poder estatal combinado a forte influência
da ideologia, propagada por intermédio dos meios privados de comunicação de
massa. Romper com esse esquema de controle e adestramento de comportamentos,
que impede o florescer da consciência de classe entre os(as) trabalhadores(as)
é tarefa urgente!
Precisamos lembrar que,
sem ação colaborativa, sem soma de forças, é inviável a luta contra o poder da
classe dominante que controla direta e indiretamente o Estado. De forma isolada
não podemos avançar muito na luta; embora, toda colaboração individual seja
extremamente relevante, é coletivamente que vamos efetivamente transformar a
realidade.
Como Educadores
professores (as) e funcionários de escolas, temos um papel fundamental no
processo de tomada de consciência da classe trabalhadora, pois, estamos em
contato direto com a propagação do conhecimento científico, filosófico e da
arte, nas escolas públicas que atendem os filhos das famílias da classe
trabalhadora, cumprindo uma etapa importante no desenvolvimento intelectual
desses jovens que depois irão ingressar nas universidades e no mundo do
trabalho, onde poderão se aprofundar, ainda mais, na construção de conhecimento
científico em prol da humanidade e nas lutas da classe trabalhadora da qual
fazem parte. Como Educadores (as) não podemos jamais esquecer de nossa tarefa
de colaboração na formação de sujeitos críticos, esclarecidos, autônomos e
cientes do papel que cumprem na sociedade, como membros ativos da classe
trabalhadora, visando a construção de uma sociedade socialista , livre e
igualitária.
Os governos liberais avançam na
privatização da educação pública através dos Planos Nacional, Estadual e
Municipal da Educação.
Os
governos representantes do capital continuam na ofensiva contra os
trabalhadores retirando todas as suas conquistas sociais. Os organismos internacionais
(Banco Mundial e BIRD) os pressionam para o aceleramento das privatizações,
através da aplicação dos Planos Nacional, Estaduais e Municipais de Educação
(PNE, PEEs e PMEs), sendo estes executados pelos governos Dilma, Sartori (PT,
PMDB...) e os demais governos de todos os partidos. Nestes ataques são apoiados
pela CNTE/CUT/CPERS.
A
exemplo do governo argentino Mauricio Macri, que já demitiu mais de 24 mil
trabalhadores do funcionalismo público argentino (fonte:http://cartamaior.com.br/…), o governo
Sartori (PMDB) aplica a mesma cartilha neoliberal. Anunciou sua intenção de
demitir servidores públicos, amparado legalmente na Lei de Responsabilidade
Fiscal Estadual. Libera e amplia as Parcerias públicas privadas (PPPs), através
das leis 202/2012 e 12.234/2005, acelerando a privatização do Estado ao aplicar
as metas privatistas do PNE e PEE.
A
atual briga pelo poder entre a direita golpista e o PT não pode ofuscar o fato
de que a ofensiva é conjunta dos governos de todos os partidos contra os
trabalhadores. No campo da educação, o PNE facilita esta ofensiva,
legalizando-a. A privatização através das PPPs avança nos Estados e Municípios.
Estes
ataques aos trabalhadores servem para a sobrevivência do capital que está em
decadência, sem possibilidade de reversão. Este é o preço da manutenção do
capitalismo. A corrupção, as guerras, a exploração, o aprofundamento da
barbárie são problemas inerentes ao capitalismo. Não existe saída para os trabalhadores
por dentro dele e não há como reformá-lo (a política do PT é a prova disso).
Somente na luta contra o capital e pelo socialismo poderemos forjar uma nova
direção para nossa classe e colocar nos colocar a perspectiva de solução dos
problemas que nos atormentam.
SINDICAL
É preciso
construir uma nova direção para a classe trabalhadora!
Os
sindicatos estão em crise, em razão de suas direções burocratizadas, vinculadas
aos governos e partidos burgueses e oportunistas. O sindicalismo transformou-se
numa profissão e os sindicatos em empresas das máfias. Nossas lutas são traídas
e derrotadas. Há perda de direitos sem novas conquistas. A nossa categoria não
poderá preservar seus direitos enquanto a direção estiver sob controle da
burocracia sindical, casta inimiga dos trabalhadores. As organizações PSOL,
PSTU e seus satélites colaboram com a burguesia ao plantarem ilusões na
institucionalidade burguesa, de que através das eleições (parlamento e
executivo) e Constituinte, é possível “humanizar o capitalismo”. Ou através de
um “governo dos trabalhadores”. Vivemos esta experiência com o PT e seus
aliados, PCdoB, PSB e outros, que em nome da governabilidade aliaram-se com a
burguesia e continuam levando a classe a inúmeras derrotas, fortalecendo o
setor da direita golpista, transformando-se num dos principais agentes do golpe
contra os trabalhadores, contribuindo para continuação da exploração do
capitalismo decadente.
Não
é a toa que os trabalhadores estão desconfiados com a direção do Sindicato. A
CUT-CNTE e as demais centrais sindicais transformaram-se em agências dos
governos. Infelizmente, os trabalhadores não têm, e não pode ter, a curto ou
médio prazo, uma alternativa própria de poder. Criar as condições para tal é a
nossa tarefa. Isso implica derrotar as políticas oportunistas e o peleguismo
sindical dentro do CPERS,e demais sindicatos, coisa que não pode acontecer
espontaneamente. É necessário a criação de uma corrente revolucionária. Devemos
atuar em todas as instâncias do sindicato enfrentando a burocracia e
fortalecendo uma oposição classista. Um CPERS democrático, classista,
independente do governo só pode surgir com a derrota da atual burocracia.
Somente assim se pode criar um partido revolucionário, condição indispensável
para que os trabalhadores possam almejar a conquista do poder político.
Nenhuma
participação em fóruns governistas: comissões paritárias!
O
CPERS não deve participar de fóruns governistas, tipo Comissões Paritárias,
onde participam representantes do governo, dos patrões e dos trabalhadores
(Conselho Estadual e Municipal de Educação e outros do mesmo tipo). Estas
servem para cooptar os trabalhadores para o programa da burguesia. São
entidades do governo, que servem à conciliação de classe. A participação nesses
fóruns é uma forma de conivência com o governo e os patrões, uma rendição de
nossa classe.
A
experiência do CPERS nestes fóruns não fez governo algum recuar na retirada de
direitos dos trabalhadores, como propagandeava as burocracias sindicais. Ao
contrário: os fortaleceu. Ser contra a participação nestes fóruns não significa
que os trabalhadores não possam negociar com o governo. Por exemplo: sempre que
houver uma greve de campanha salarial, os trabalhadores mobilizados devem
pressionar o governo em torno de suas reivindicações. Para isso, não é
necessário entidades permanentes paritárias entre patrões, governo e
trabalhadores. A participação nesses fóruns significa legitimar e ser conivente
com os ataques dos governos e os patrões à nossa classe.
Método de exigência
Só podemos fazer
reivindicações respaldadas por mobilizações e que nunca criem ilusões de que um
governo burguês possa romper com o capitalismo. Por exemplo: melhores salários,
melhores condições de trabalho, serviços públicos de qualidade, moradia, saúde,
educação, etc. Entretanto, não podemos exigir que um governo burguês suspenda o
pagamento das dívidas públicas ou anule a reforma da previdência; e muito menos
que estatize as empresas que demitirem, pela simples razão de que não podemos
exigir que um governo burguês deixe de ser burguês. Fazer este tipo de
exigência serve apenas para criar ilusões em nossa categoria ao invés de
destruí-las, indo no sentido da preservação do capitalismo, e não da sua
destruição. Também não podemos admitir programas comuns com os inimigos de
classe ou seus representantes. Com estes podemos apenas fazer frente única em
torno de reivindicações pontuais que defendam os trabalhadores, e nunca contra
eles, como é o caso da exigência “PNE já” que foi feita em uma "greve"
nacional da CNTE-CUT.
Fim
dos privilégios dos dirigentes sindicais! Extinção da verba de representação!
Defendemos
que os diretores do CPERS devem receber o mesmo salário que os trabalhadores da
base, e que os mandatos sindicais de representantes de escola, núcleo,
municipal estadual possam ser revogáveis, a qualquer momento a partir de um
expressivo movimento da base da categoria.
REFORMA
ESTATUTÁRIA
Por um
CPERS organizado pela base!
Defendemos sindicatos democráticos baseados no princípio da soberania das bases
organizadas por local de trabalho, ou seja, na democracia direta através da
eleição de representantes por escola, etc. Os seus mandatos devem ser curtos e
revogáveis a qualquer momento. Esse é o princípio de organização que propomos
para o CPERS: realização de assembleias gerais por escola, incluindo
professores e funcionários (ativos, desempregados e aposentados),
sindicalizados ou não; eleição de comissões por escola, com funcionamento
regular e permanente; eleição a cada 20 trabalhadores da escola de um
representante para o Conselho de núcleo; eleição a cada 20 representantes de
cada Conselho de núcleo de um representante para o Conselho Geral. Os seus
mandatos terão a duração de um ano, mas podem ser revogados a qualquer momento.
As reuniões do Conselho Geral devem ser abertas à participação de qualquer
professor, com direito à voz.
As
Assembleias Gerais devem ser
democráticas, mas sem democratismo, ou seja, não se pode cansá-las com dezenas
de discursos sem objetividade apenas para contemplar as correntes políticas,
como acontece atualmente no CPERS. Devem ser objetivas, deliberar sobre as
propostas em pauta e organizar o movimento. A democracia e objetividade das
Assembleias Gerais dependem de serem preparadas e precedidas por discussões e
assembleias por escola e por núcleo. Todas as propostas que venham da base,
dentro da pauta proposta, devem ser apresentadas no Conselho Geral que
organizará a sua defesa na Assembleia Geral, sejam ou não membros desse
Conselho, sem prejuízo de propostas apresentadas diretamente na Assembleia.
Pelo
direito dos não sócios participarem das assembleias gerais que tenham como
pauta a possibilidade de deflagrar greve.
Para
que uma greve tenha maiores chance de vitória é preciso que o máximo possível
de educadores participe dela e possa decidir sobre os seus rumos. A chance de
adesão à greve é muito maior; inclusive para incentivar uma futura filiação
sindical. Por isso, defendemos que os não sócios possam entrar nas assembleias
gerais que discutam e deflagrem greve, bem como as assembleias gerais que
ocorram durante o movimento grevista.
O CPERS
deve organizar os trabalhadores PRECARIZADOS (Terceirizados, Contratados,
Estagiários, Oficineiros e outros) do Estado , incluí-los no quadro de sócios,
para fortalecer a luta da classe trabalhadora.
A
conjuntura de derrota imposta pelo capital à classe trabalhadora aprofunda a
barbárie social. Os governos em escala mundial impõem a retirada de direitos
dos trabalhadores, através da flexibilização das leis trabalhistas, corte e
aumento do tempo para as aposentadorias, parcelamento de salários, extinção de
concursos públicos, redução de recursos humanos, sobrecarga de trabalho,
assédio moral e outros. Além do avanço das terceirizações nos serviços
públicos, com objetivo de reduzir custos, manter os lucros dos capitalistas,
transferir os custos de suas crises para o ombro dos trabalhadores, e
fragmentar os trabalhadores, evitando sua organização e resistência contra o
capital decadente.
O
sindicato tem que superar a tática dos governos capitalistas de fragmentação da
nossa classe, incluí-los nas fileiras do CPERS e levantar as suas reivindicações.
Defendemos a sindicalização dos Trabalhadores Precarizados e
Desempregados!
Defendemos a
sindicalização no CPERS os oficineiros da educação (Projeto Mais Educação,
Escola Aberta e outros) que trabalham em escolas estaduais, sendo vinculado ao
núcleo ao qual sua escola pertence, pagando uma mensalidade 0,5%, e também os
trabalhadores em educação demitidos que tiveram vínculo com o Estado,
permanecendo no núcleo a qual estavam vinculados, ficando isento de pagar a
mensalidade. Assim que estes
trabalhadores tiverem outro vínculo empregatício formal o mesmo será desligado
do sindicato.
Ratificar
no estatuto o FUNDO DE GREVE aprovado em assembleia geral da categoria.
Defendemos
a inclusão em nosso estatuto do Fundo de greve aprovado em assembleia geral,
bem como a prestação de contas deve ocorrer em assembleia do núcleo e geral,
bem como ser divulgada no site e jornal do sindicato, para que todos os
trabalhadores conheçam e tenham condições efetivas de opinar sobre as finanças
do sindicato.
PLANO DE
LUTAS
Defesa da Educação Pública! Rechaçar as políticas educacionais do imperialismo
(PNE, PEE E PME)! Lutar contra os “ajustes fiscais”!
A política educacional
imperialista para o país é determinada pelo Banco Mundial, Banco Interamericano
e Banco do Japão. Estes indicam a política dos governos para as áreas sociais,
com objetivo de economizar custos nos serviços públicos, para que os governos
garantam o pagamento em dia dos juros das dívidas públicas.
Na
educação, estas políticas estão expressas no Plano Nacional, Estadual e
Municipal da Educação. Trata-se de planos com caráter privatista, que entregam
a educação pública para as parcerias publico privadas, precarizam a educação
através das terceirizações, transferindo recursos púbicos para o setor privado,
justificando cortes de recursos humanos e de verbas. As conferências
organizadas pelos governos não passam de jogo de cena, servindo para iludir os
trabalhadores e cooptá-los para defender o projeto do imperialismo. Estes
planos nunca foram disputáveis. Contribuir para esse engodo é semear ilusões na
classe de que é possível disputar planos cuja essência é contra os
trabalhadores.
A
defesa da Educação pública passa pela luta contra a aplicação dos Planos
Nacional e Estadual de Educação. Estes dois instrumentos estão alinhados com a
política privatista do Banco Mundial, que tem como objetivo privatizar a
educação pública em todo o país, utilizando a terceirização através das
parcerias público privadas e as organizações sociais. Nossa luta deve ser
contra o financiamento do setor privado com o dinheiro público e pela
estatização das escolas privadas.
Pela
autonomia escolar!
Contra as intervenções autoritárias
da SEDUC na escola pública; contra as direções autoritárias: autonomia para os conselhos
escolares gerirem a escola pública em sintonia com os interesses da comunidade
escolar.
Contra os
Projetos de Leis da “Escola sem Partido”!
O
PL “Escola sem partido” representa uma afronta autoritária às liberdades
democráticas. É uma reedição do AI-5 na escola, com o objetivo de cercear o
direito dos professores e estudantes de debaterem questões políticas
livremente, determinando o que a escola deve ou não fazer. O objetivo do PL é
manter os estudantes alienados e acríticos das questões sociais, alijando-os de
uma reflexão política acerca da sua realidade. Além de penalizar judicialmente
o professor e a escola que oportunizar tal reflexão, o PL quer evitar qualquer
tipo de mobilização em defesa da educação pública.
Contra
o assédio moral!
O
assédio moral é uma prática constante dos governos e de algumas direções de
escolas que lhe são serviçais. Na educação o assédio se expressa através de agressões
psicológicas, que adquire diversas formas: perseguição política, ameaças,
repressão, coação, intimidação, constrangimento, proibição aleatória e outras
formas. Os trabalhadores contratados são os que mais sofrem assédio moral por
parte das direções, por seu vínculo ser precário. Defendemos
uma luta permanente contra o assédio moral, através de mobilizações e ações
judiciais contra os assediadores.
Contra a precarização do trabalho através dos contratos “emergenciais”!
A
precarização do trabalho, através da contratação “emergencial”, é uma política
permanente do governo e uma política universal do capitalismo decadente.
Portanto, a luta contra ela requer a unidade de todos os trabalhadores e não
pode ser desvinculada da luta contra o capitalismo.
Defesa dos
trabalhadores contratados! Que os contratos sejam efetivados e regidos pelos planos de carreiras! Pela isonomia salarial dos trabalhadores contratados
com os trabalhadores efetivos!
A defesa destes
Planos passa, também, por lutarmos pela inclusão dos atuais contratados neles,
isto é, que os trabalhadores contratados e nomeados sejam regidos pelas mesmas
leis dos Planos de Carreiras da categoria.
Contra o
desmonte da educação pública do governo Sartori! Contra o corte de verbas!
Congelamento de salários!
A política do governo Sartori representa a política do Banco Mundial na
educação pública: Estado mínimo, corte de custos, privatização, favorecimento
do ensino privado. Os cortes de verbas são uma forma de transferência para os
trabalhadores da crise capitalista. Reivindicamos que nenhuma verba pública vá
para as empresas privadas: verbas públicas para a educação pública!
Contra
o fechamento de escolas e de turmas! Que a burguesia pague pelos custos de sua
crise, e não os trabalhadores e os seus filhos.
Contra o
calote do piso e em Defesa do Plano de Carreira!
O Piso Nacional Salarial não passou
de uma lei demagógica do governo Dilma/Tarso, que o governo Sartori também não
cumpriu. A Lei do Piso tem como objetivo a destruição dos planos de carreiras,
além de servir como uma suposta "bandeira de luta" para a burocracia
sindical desviar o foco e o caráter da nossa luta, que é defensiva diante dos
ataques do governo Sartori. Denunciar o calote do Piso e defender nosso plano
de Carreira devem ser lutas interligadas.
Em defesa das nações oprimidas contra o
imperialismo!
A miséria social, agravada
pela crise econômica, e o descontentamento com as ditaduras, desencadearam
revoltas populares legítimas no norte da África e Oriente Médio. Entretanto, o
imperialismo aproveitou-se dessas revoltas para financiar milícias e exércitos
chamados “rebeldes” com o intuito de derrubar algumas ditaduras que não lhe
eram de inteira confiança. Apoiamos as revoltas genuinamente populares, mas não
apoiamos essas milícias armadas a serviço do imperialismo. Muito menos apoiamos
a intervenção direta do imperialismo, como aconteceu com os bombardeios da OTAN
contra o regime líbio.
Da
mesma forma, não podemos apoiar a intervenção indireta do imperialismo, como
acontece na Síria através de exércitos armados e financiados por este, cujas
bases encontram-se na Turquia. O imperialismo é sempre o inimigo principal dos
povos, mil vezes mais nefasto do que essas “ditaduras sanguinárias” de terceiro
mundo. Não se trata de medir quem é mais sanguinário, se Obama e Cameron de um
lado, ou Kadafi e Al Assad, de outro, mas quem é mais poderoso e causa mais
prejuízos à humanidade. Essas ditaduras, derrubadas pelos trabalhadores é a
revolução que triunfa; derrubadas pelo imperialismo é a vitória da reação
burguesa internacional. Tragicamente grande parte da esquerda dita
revolucionária está alinhada ao imperialismo contra essas nações oprimidas em
nome de uma fantasiosa “revolução democrática”. É preciso combater o
imperialismo e seus prepostos nas suas investidas atuais contra as nações.
Tampouco
apoiamos a atual ocupação russa da Síria, porque isso implica apoiar toda a sua
política externa para o oriente médio, inclusive, seus acordos espúrios com o
imperialismo hegemônico. A Rússia não defende a soberania Síria, mas apenas os
seus interesses. Devemos apoiar exclusivamente os ataques contra os grupos
terroristas (Al Qaeda, Estado Islâmico, Irmandade Muçulmana, Exército Sírio
Livre) porque esses são os inimigos principais do povo sírio e expressão da
intervenção do imperialismo ocidental.
Assinam
esta tese:
Construção pela Base, Luta Marxista e Movimento Autonomia e
Revolução.