4 de fev. de 2019

PARA QUÊ TEM SERVIDO OS CONGRESSOS DO CPERS?

Está previsto para esse ano o X Congresso Estadual do CPERS. Observando a situação da nossa categoria e as últimas direções do CPERS podemos nos perguntar: para quê tem servido os congressos do CPERS? Forçosamente temos que reconhecer que não servem para organizar a luta e nem armar política e teoricamente a nossa categoria.

Ao contrário. Os congressos do CPERS tem sido marcados pelo formalismo burocrático: a base da categoria não é incitada a participar do debate; a maioria das escolas sequer conhece as teses; os prazos de discussão são exíguos (quando existem); impera o levantamento de crachás e muitos delegados vão sem saber que tese ou resoluções defendem. Trata-se, portanto, do cumprimento de um ritual burocrático muito caro e dispendioso, que não organiza luta política e teórica nenhuma, mas apenas reforça dominações sobre aparatos e bases.

O Congresso do CPERS deveria ser preparado por escolas, zonais e núcleos. Era importante fazer acontecer um verdadeiro debate de ideias que culminassem numa síntese salutar de propostas de luta para o próximo período, que será duro e determinante. A burocracia sindical, contudo, trabalha para fazer exatamente o oposto.

Está previsto uma discussão sobre o X Congresso no próximo Conselho Geral do CPERS, no dia 15 de fevereiro, onde se pode notar que as principais preocupações são: "data e local". Nenhuma palavra sobre concepção, divulgação das teses, organização prévia, debate na base, nos núcleos, etc. Qual será a postura dos "representantes independentes" no Conselho Geral frente a isso?

17 de out. de 2018

VOTO NULO CONTRA OS CANDIDATOS AO GOVERNO DO RS QUE APOIAM O FASCISMO

O PSDB de Eduardo Leite e o MDB de Sartori massacraram os servidores públicos do RS e de Porto Alegre. Estão trabalhando duramente para aplicar o ajuste fiscal em nome do grande capital. São inimigos dos servidores, dos trabalhadores e do povo pobre. Governam apenas para o grande capital, utilizando-se de chantagem, de ataques indiretos e diretos, repleto de violências simbólicas e físicas.

São os responsáveis pelo empobrecimento dos servidores públicos e, indiretamente, pela péssima qualidade dos serviços públicos prestados à população. Contam com o apoio da grande mídia, do sistema financeiro, do agronegócio e dos empresários da agenda 2020.

A novidade destas eleições é que ambos apóiam o fascismo para a presidência da República. Não se trata apenas de oportunismo eleitoral, mas eles querem e precisam dos métodos fascistas para aprovar a integralidade do ajuste fiscal em nome dos grandes capitalistas. O RS está comprometido por 40 anos com a exploração impiedosa do sistema financeiro. Os governos de Sartori ou Leite terminarão por arruinar o Estado completamente.

A tática de desgaste eleitoral da direção central do CPERS nos trouxe a este beco sem saída!
Além de não convocar uma reunião de frente única com todos aqueles que queiram lutar contra o fascismo, a direção central do CPERS (ligada ao PT, PCdoB, PDT e PP) trabalhou por 4 anos em um desgaste eleitoral do governo Sartori, condenou o voto nulo e as ações que fugiam do que é aceitável à democracia dos ricos e às suas instituições. 

Os apoiadores da direção central e muitos colegas criticam apenas a parte da categoria que votou nesses partidos. Estão corretos em criticá-los, mas errados em não perceber o peso da política do CPERS neste contexto. Apenas desgastar eleitoralmente os governos, não criticar e não denunciar as instituições "democráticas" que dão sustentação a tudo isso, não organizar os educadores por local de trabalho, não realizar uma autêntica formação política, mas apenas "deformação", levando a nossa categoria a aceitação disso tudo, só pode redundar nesta situação.

Por tudo isso, defendemos:
- Voto nulo para governador no RS! 
- Organizar os educadores por local de trabalho e possibilitar uma formação com consciência de classe, e não que reforce a democracia dos ricos contra nós!
- Voto crítico em Haddad (PT) pelas liberdades democráticas mínimas: nenhuma confiança no seu programa econômico de administração do capitalismo e no seu governo!
- Combater o fascismo sem vacilação: organização de frente única com todos os setores que se dispuserem a tal!
- Contra o ajuste fiscal e a fascistização da política e da economia: denunciar amplamente o seu programa, os seus métodos e os seus objetivos

15 de out. de 2018

IR MUITO ALÉM DO VOTO CRÍTICO EM HADDAD: ORGANIZAR A FRENTE ÚNICA CONTRA A DITADURA MILITAR


O fascismo tem possibilidade real de voltar ao poder nestas eleições. É o que alguns intelectuais estão chamando de “suicídio da democracia”. A crise econômica do capitalismo levou à crise política que há tempos se expressava no desgaste dos políticos e dos partidos burgueses. Habilidosamente, a burguesia conseguiu jogar a sua responsabilidade para os ombros da “esquerda” e do “comunismo”. É claro que, para isso, contribuiu a estratégia política do PT, que se adaptou completamente ao capitalismo, tolerando e fortalecendo essa direita.
            Não damos vazão ao debate que tenta minimizar o fascismo em ascensão dizendo que não podemos usar essa definição. Os fascistas do futuro não vão ter o estereótipo de Hitler ou Mussolini, nem o discurso e os símbolos de um “Estado totalitário”. Uma das principais características do fascismo atual é que não é possível um debate coerente. Impera o irracionalismo e a manipulação de emoções infantis. Os fascistas, no geral, não sustentam nenhum argumento seriamente até o fim, reproduzindo, como papagaios, o que vem de cima. Utilizam-se do ódio mal resolvido, da repressão moral e sexual da grande massa; sobretudo por parte da religião organizada.
            Alguns métodos do novo fascismo brasileiro começam a se esclarecer: manipulação das redes sociais, algoritmos e fake news baseada no misticismo evangélico. Com o poder do Estado na mão, "legitimado" pelas urnas, virá a repressão policial, a proibição dos movimentos sociais e de trabalhadores, a repressão ideológica, a imposição do moralismo sexual e religioso, a tortura física e psicológica, até os assassinatos "seletivos" (feitos por terceiros, mas legitimados pelo governo). Tudo em nome de quê? Da aplicação do ajuste fiscal para "salvar" o capitalismo da crise. Discursando contra a "ditadura comunista", os neofascistas enfiarão goela abaixo do país o ajuste fiscal, mantendo o Brasil como plataforma de exportação de matérias-primas, usando a repressão do povo e daqueles que resistem, como as últimas ferramentas que a classe dominante e o imperialismo têm para manter seus privilégios e aumentarem seus lucros a qualquer custo.
O capitalismo chegou numa nova fase da sua degeneração. Quer retirar todos os direitos sociais, acabar com a farsa do Estado de "bem estar social" (que foi uma resposta à União Soviética, que hoje não existe mais). Nos distraem com o discurso paranoico e falso sobre a Venezuela para preparar melhor o terreno ao regime de exploração típico do sudeste asiático, como o capitalismo chinês, que paga 1 dólar por dia aos seus trabalhadores e tem lucro recorde para todas as multinacionais que lá operam. Além disso, quer o "Estado mínimo" (leia-se: destruir os serviços públicos) para garantir as verbas federais ao sistema financeiro e ao agronegócio. A burguesia imperialista e nacional não podem mais usar o teatrinho democrático de “instituições respeitadas” e direitos humanos: precisam do fascismo aberto e declarado (de segunda ordem, é claro, tipo Pinochet)! Esta é a raiz da crise atual.
Há muito tempo isso vem sendo preparado. Mais especificamente, desde a eleição de Donald Trump e outros governos neofascistas pelo mundo. O irracionalismo é plantado conscientemente: falam contra a corrupção pra melhor manter a corrupção do sistema financeiro e do próprio capitalismo; falam contra a “ditadura comunista” para melhor implantar uma ditadura capitalista pra salvar os privilégios dos bancos, das grandes empresas, do agronegócio e dos próprios políticos.

O voto crítico em Haddad e a democracia burguesa
            Sabemos que as eleições nesta democracia dos ricos é um jogo de cartas marcadas. Repetidamente esta “democracia” se torna uma ditadura escancarada quando sobrevém os períodos de crise econômica. Não temos ilusões na candidatura do PT. Sabemos que preparam um ajuste fiscal em um ritmo mais lento do que a de Bolsonaro (PSL). No entanto, o voto nulo não é um princípio para nós.
            Chamamos voto crítico na candidatura do PT no sentido de preservar as liberdades democráticas mínimas e atrapalhar, como é possível no momento, a ascensão fascista. Sabemos do caráter burguês do PT e do PCdoB e de todos os seus planos de administração do capitalismo, o que inevitavelmente acarretará novas ascensões da extrema direita no futuro. Se eleito, no entanto, estaremos na primeira fila para lutar contra as suas medidas “democráticas” de administração do capital. Embora entendamos os motivos do voto nulo e respeitemos os motivos de quem o levanta, justamente por não ser um princípio, achamos equivocado defendê-lo nesse momento. Faremos campanha por um voto crítico sem sustentar a política e o programa petista, que compreendemos estar condenado pela experiência histórica.
            O ódio ao PT representa um ódio aos pobres, aos negros, aos ex-escravos, aos trabalhadores em geral. A “luta contra a corrupção” desta classe média e da elite esconde, na verdade, a defesa dos seus privilégios de classe. Elas sabem perfeitamente que não estão lutando contra a corrupção, mas usando-a como um escudo para defender os seus interesses. Eles querem a ditadura conscientemente e, para isso, se usam deste argumento. A elite e a classe média estão pouco se lixando para uma repressão fascista contra o povo pobre. Ao contrário, querem isso para “colocar o populacho no seu lugar” e preservar os seus privilégios ameaçados pela crise do capitalismo. Sabemos que a ditadura irá se impor primeiro nas periferias e nas favelas, para se estender ao movimento sindical e os locais de trabalho.
            O PT, na contramão disso tudo, tenta sustentar o regime democrático burguês, que desmorona como um castelo de areia. Quanto mais é desrespeitado, mas se apega às suas regras. A crise econômica capitalista exige um novo regime político e o PT se nega a se preparar para essa luta. Os reflexos inevitáveis estão no seu sindicalismo, sustentando pela CUT. A justiça está totalmente controlada por esta direita, que não tem escrúpulos em usá-la politicamente. A vitória eleitoral do fascismo lhes deixará com as mãos livres para aplicarem todo o ajuste fiscal, retirar direitos, aumentar seus privilégios e reprimir os trabalhadores e os movimentos sociais. A vitória de Haddad, por outro lado, justamente por se apegar às regras do jogo democrático burguês, não deterá a ascensão dessa direita, que se sente “empoderada” para atacar trabalhadores, mulheres, negros, LGBTTs. Por tudo isso, o foco das nossas tarefas para o próximo período deve estar na preparação de uma frente única de resistência.

Organizar a luta contra o fascismo: preparar a frente única contra a ditadura militar!
            Todas as propostas de frente anti-fascistas levantadas até o momento se resumem à frentes eleitorais para a eleição de Haddad. Somos contra esse tipo de frente, que é estéril e só pode preparar nossa derrota e novas frustrações. É preciso construir frentes antifascistas que desenvolvam ações coordenadas de autodefesa, informações, inteligência, solidariedade, formação política, agitação e propaganda, em todos os locais em que isso for possível, desde os sindicatos e locais de trabalho, até as escolas, universidades, bairros e vilas.
            Por política de frente única deve-se entender, antes de tudo, uma ação comum, com trabalhadores de partidos reformistas, social-democratas e sem-partido, dentro e fora dos sindicatos. Grande parte da burocracia sindical dirigente está apegada ao regime democrático-burguês em desmoronamento, tal como um náufrago a um pedaço de madeira. Ridiculariza o debate sobre a autodefesa. Para enfrentar a real gravidade da situação, precisamos de frente únicas que superem o método de organização desenvolvido até hoje pelo sindicalismo oficial. Temos que organizar reuniões democráticas e amplas. Todos devem defender todos e sair em solidariedade em caso de agressão, calúnias e outras formas de ataque fascista.
            A organização de frentes antifascistas deixa claro que estamos numa conjuntura defensiva. Será preciso resistir por um período longo, até conseguirmos tomar a ofensiva. A propaganda e a agitação, somada à autodefesa, assumem o primeiro lugar. No campo da agitação e propaganda é fundamental desmascarar o programa do ajuste fiscal e os métodos autoritários que o capitalismo precisa impor para se manter, demonstrando desde já os verdadeiros culpados: o capitalismo, a burguesia e o seu ajuste fiscal.
            A situação atual, por mais desesperadora que pareça, também abre grandes possibilidades de mobilização e de luta contra a direita e o capitalismo, desde que compreendida em profundidade e bem utilizada.

Defendemos:
- Voto crítico em Haddad (PT) pelas liberdades democráticas mínimas: nenhuma confiança no seu programa econômico de administração do capitalismo e no seu governo!
- Combater o fascismo sem vacilação: organização de frente única com todos os setores que se dispuserem a tal!
- Contra o ajuste fiscal e a fascistização da política e da economia: denunciar amplamente o seu programa, os seus métodos e os seus objetivos!
- Que os sindicatos organizem frentes únicas contra a ditadura militar que se avizinha! Se a direção do CPERS não cumprir esta tarefa, que seja imediatamente destituída!

3 de out. de 2018

COMO FAZER A DEMOCRACIA VENCER NAS ELEIÇÕES DE DIRETORES?


Chegará o momento em que os governos colocarão na mira dos seus ataques à lei de gestão democrática, esta importante conquista da luta dos trabalhadores. Quando a privatização e o ajuste fiscal atingirem determinado nível, estará colocado, então, a necessidade de impor gestores às comunidades escolares. Apesar desta lei ainda estar em vigor, temos sofrido com inúmeras direções autoritárias que sabotam a luta sindical e praticam assédio moral; felizmente, algumas outras se mantém no campo da luta e do enfrentamento às políticas da SEDUC.
        Contendo os mesmos vícios da “democracia” da nossa sociedade, muitos diretores “se esquecem” de que foram eleitos pela comunidade e passam a ser gestores da SEDUC e dos governos, sem nenhum tipo de “programa” de direção que beneficie a comunidade. Não são poucos os casos de perseguição, remoção e assédio moral. As eleições se aproximam novamente e se faz necessário um debate no chão das escolas para o estabelecimento de um programa para as direções. Este é o primeiro passo. O segundo é o desenvolvimento de uma consciência entre os colegas de que será necessário a organização da luta para fazer a direção exercer o mínimo de democracia nas escolas.
     Isso se dá desta forma porque os diretores ficam na corda bamba: governo tenciona de um lado e a comunidade de outro, embora com menos força, consciência e organização. Como os diretores não são ativistas e muitos sequer são sindicalizados, eles acabam cedendo à pressão mais forte, cumprindo o papel de capitães-do-mato. As direções autoritárias e “legalistas” estão há muito tempo no campo dos inimigos, contra os educadores, a comunidade e a própria educação pública. Porém, há as direções que se dizem “democráticas”. Muitas destas, quando estão pressionadas pelo governo (e isso acontece o tempo todo), fazem jogo duplo: concordam com as deliberações de uma reunião de professores, mas pelas costas fazem exatamente o oposto (geralmente o que manda a SEDUC). Nesse sentido, não existe uma receita contra a degeneração das direções após as eleições. Isso quer dizer que a maioria dos diretores acabará cedendo à pressão dos governos. Só a luta, a conscientização e a organização poderão detê-los. A reclamação sem ação – tal como acontece em inúmeras salas de professores – nada poderá construir. Portanto, será fundamental estabelecer um método de organização e de luta que esteja amparado nos seguintes métodos:
I - É necessário comprometer a direção com a comunidade, fazendo o seu “programa de direção” ser conhecido por todos. Antes e durante as eleições é preciso construir junto o “plano de ação”, para que este possa ser cobrado posteriormente, junto com a comunidade escolar. É muito importante desenvolver com a comunidade a ideia de uma direção revogável, uma vez que ela não cumpra as deliberações do seu próprio programa (desde que isso não signifique a intervenção direta da SEDUC). Diante de tamanho ataque que virou norma por parte da mantenedora, não seria nada fora do aceitável a própria direção escolar, eleita democraticamente, ter a iniciativa de proteger os interesses da comunidade escolar. Nisso reside o interesse de classe, dos alunos e seus respectivos responsáveis;
         II - Este programa deve conter as seguintes orientações e noções gerais: os diretores devem dirigir a escola em comum acordo com o conselho escolar, respeitando as liberdades sindicais, as decisões do conselho escolar (por votação de maioria) e o direito de organização dos estudantes em grêmio estudantil. Devem ser criadas as condições para que as reuniões de direções se tornem as mesmas, ou no mínimo, respeitem as deliberações dos conselhos escolares. Nesse sentido, os educadores combativos devem formar chapas para o Conselho Escolar e incentivar que os alunos participem ou montem grêmios estudantis para fiscalizar, debater e propor políticas para a escola. Tudo isso exige muito trabalho cotidiano e não pode ser negligenciado se queremos direções democráticas. A sua mera eleição para o posto de direção não garante absolutamente nada;
III - Defender o direito à liberdade pedagógica (o que não significa omissão sobre os assuntos relacionados aos alunos, muito menos em relação ao trabalho que se deve executar, sempre visando a elevação da qualidade), com reuniões democráticas, abertas e bem planejadas. A liberdade pedagógica deve estar submetida ao Projeto Político Pedagógico, que necessita ser debatido e construído com a participação do máximo possível de membros da comunidade, fundamentando coletivamente a concepção de educação que queremos;
       IV - Exigir e tornar comum a prestação de contas do que entra de dinheiro na escola e onde ele é investido. Educar a comunidade no sentido da sua fiscalização permanente e na reivindicação do debate democrático de onde investir a verba recebida. Dividir os problemas é mais fácil para buscar a solução, aliviar o peso dos ombros da direção, além de ensinar a autogestão. Parte disso está em debater as finanças da escola com a comunidade escolar elencando as prioridades no destino das verbas, democratizando e racionalizando o planejamento financeiro. Como a escola pública é de todos, deve prestar contas permanentemente e ser gerida de forma transparente e democrática.
Uma vez estabelecidas as diretrizes deste plano de ação, é fundamental formalizá-las no papel sempre levando em consideração a realidade de cada comunidade. É importante também manter o sindicato próximo da escola, inclusive apresentando a ele o plano de ação. Após tudo isso, é necessário fixa-las junta à comunidade escolar para comprometer a direção com sua base. Uma vez que as pressões da SEDUC venham (e elas virão inevitavelmente), com o trabalho prévio de organização no conselho escolar, junto com os alunos no grêmio estudantil e com a liberdade sindical dos professores, estaremos em melhores condições para resistir e cobrar coerência entre o propósito que levou a eleição daquele candidato à direção da escola e ter mais instrumentos de fiscalização e pressão para evitar que ele mude de trincheira.

24 de set. de 2018

A LUTA NÃO PODE SER DE FAZ DE CONTA: CERRAR FILEIRAS CONTRA A DIREITA FASCISTA


Declaração para a assembleia geral do CPERS do dia 28 de setembro de 2018

         A assembleia geral do CPERS está diante de um dilema: aprovar uma “greve” inconsequente ou a organização de uma luta real contra a direita fascista, que cresce a olhos vistos. A categoria não tem se mobilizado diante dos ataques incessantes do governo Sartori (MDB e aliados). Certamente pesaram as inúmeras traições e sabotagens da direção central do CPERS, que levaram a um afastamento do sindicato. A última assembleia geral, em junho, reuniu no gigantinho um pouco mais de 500 pessoas. Isto foi a demonstração derradeira.
         Esta assembleia geral, marcada para o dia 28 de setembro, acontecerá em meio a uma conjuntura conturbada, de ascensão da direita fascista, do seu discurso de ódio e de um programa neoliberal de destruição dos serviços públicos e aplicação total do ajuste fiscal. A proposta aprovada no Conselho Geral do CPERS de fazer uma “greve por tempo determinado” nas vésperas das eleições burguesas de outubro não passa de uma forma inconsequente e estéril de combater o governo, servindo mais para liberar sua militância para a reta final da campanha eleitoral. Portanto, não se trata de uma forma de acumular forças contra o governo.
         Para debatermos seriamente esta proposta precisamos responder as seguintes perguntas: estamos em melhores condições do que no ano passado em que fizemos mais de 90 dias de greve para arrancar alguma pauta do governo? Os problemas do trabalho de base e da direção do sindicato foram resolvidos? Qual é o ânimo da categoria e quais as condições do governo usar o movimento contra nós? Como está essa correlação de forças no momento? Uma greve inconsequente e sem condições aumentaria nossas forças ou aumentaria a desmoralização da categoria, desgastando ainda mais a relação com o sindicato?
         Na compreensão da Construção pela Base nenhuma dessas perguntas pode ser respondida positivamente. Sendo assim, somos contra a deflagração de uma greve neste momento por entender que ela apenas contribuiria pra piorar o quadro e desgastar ainda mais a nossa principal ferramenta de luta. Alguns colegas pensam que algo tem que ser feito, pois os ataques do governo Sartori (como o parcelamento) não cessam. Compreendemos essa preocupação, embora entendamos que o desespero e ações motivadas por flagrantes contradições não podem “fazer nada” efetivamente contra o governo, apenas piorar a nossa situação.

A sentença da justiça contra o CPERS é mais um passo contra as liberdades democráticas
Compreendemos que a caravana do CPERS pelo interior não realiza um trabalho de base sério, mas apenas uma campanha eleitoral em favor do PT. Para isso, precisam atacar o governo Sartori, que lidera uma coalizão de siglas de aluguel, como PSD, PSB, PR, Patriotas, PSC, PRP, PMN e PTC. Nesta caravana eleitoral, o CPERS aborda todos os ataques que a categoria sofreu nos 4 anos desse governo, desde o parcelamento salarial, até o fechamento de turmas, escolas e os projetos nefastos, como a renegociação da dívida pública, que comprometerá as finanças do RS por mais 20 anos. Tudo isso é verdade. São ataques não apenas sentidos pelos servidores da educação pública diariamente, mas também atestados por jornais e sites da mídia burguesa.
A sentença judicial contra o CPERS não se sustenta sob nenhum ponto de vista, muito menos eleitoral, constituindo-se numa flagrante forma de censura, típica de qualquer ditadura. Mesmo discordando profundamente da política levada a cabo pelo CPERS, reconhecemos esta decisão como lamentável, servindo apenas para avançar mais contra as liberdades democráticas mínimas. Reafirmamos a necessidade de defender o CPERS deste brutal ataque e, sobretudo, o direito de visitar as escolas para debater qualquer conteúdo.
         Enquanto sentencia negativamente o CPERS, a mesma justiça não cumpre outras determinações fundamentais contra o governo Sartori, tal como a liminar que proíbe o parcelamento salarial; ela nem sequer investiga a fundo os problemas constatados pelo Ministério Público de Contas em relação às verbas do FUNDEB recebidas e utilizadas pelo governo Sartori. A direita fascista avança, sobretudo, a partir da justiça burguesa.
Ao contrário disso, o desembargador, a serviço desta direita, determinou que o CPERS deve “se abster imediatamente de realizar propaganda eleitoral negativa” (leia-se: falar sobre os ataques do governo Sartori) nas escolas públicas do Estado, sob multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Além disso, a entidade deveria retirar de sua página do Facebook e de seu site oficial, em até 48 horas, imagens que demonstram ter realizado propaganda eleitoral negativa do atual governador. Ora, tudo isso é um escândalo anti-democrático, que precisa ser denunciado amplamente.
A direção central do CPERS, incorrigivelmente adaptada ao sistema, respondeu que: “Honrando nossa tradição de respeito às instituições democráticas, a partir desta quarta-feira (19) os materiais citados no despacho não serão mais distribuídos nas reuniões com educadores(as), mas permanecem em circulação fora do espaço escolar. Duas publicações, também citadas no mandado, foram removidas do site e do Facebook da instituição”. Em nossa opinião, esta postura legalista deseduca a nossa categoria e os trabalhadores em geral para os confrontos que se avizinham, pois além de uma subserviência às instituições democráticas [burguesas, deveria ser acrescentado], estas são as mesmas que decidem contra os trabalhadores e que dão sustentação política ao golpe que destituiu Dilma em 2016. Desta forma, apenas continuaremos jogando o jogo da burguesia em relação ao golpe, endossando-o e, em última análise, jogando contra nós mesmos.
Talvez a correlação de forças não permitisse manter as postagens no site e nas redes sociais, mas cultuar as instituições democrático-burguesas e a própria justiça é desnecessário, deseducativo, suicida e patético.

A conjuntura exige uma luta de verdade, sem faz de conta!
         O burocratismo da direção do CPERS e de parte da categoria leva a greves e paralisações de faz de conta, que precisam ser urgentemente superadas. As greves do funcionalismo público se desgastaram, dentre outros motivos, pela facilidade com que ocorrem se comparadas ao setor privado, onde impera a mais brutal ditadura. Esta facilidade grevista, ao mesmo tempo em que foi uma conquista, tornou-se uma fraqueza, pois levou a uma acomodação e uma rotina. Muitos colegas lamentavelmente pensam que greve é “feriado”, vendo numa paralisação estéril deste tipo, sem participação política real da categoria, uma forma de “pelo menos atingir” o governo por tantas humilhações que ele nos infligiu. Ou seja: é uma forma de reivindicar sem maiores responsabilidades. Esta conduta precisa ser debatida se queremos novas greves, mais organizadas, fortes e vitoriosas.
         A burocracia sindical do CPERS está pouco se lixando para este tipo de “consciência grevista”. Ao contrário, joga com ela e finge que não a vê. Para nós, certas posturas equivocadas, além de reforçar a despolitização, apenas podem fortalecer o governo. Nesse momento, por termos um espírito de luta completamente diferente daquele que deflagrou a greve dos 95 dias, no ano passado, nos opomos a uma nova greve agora, mesmo que por tempo determinado. Em contrapartida, propomos a participação organizada do CPERS no ato das mulheres contra Bolsonaro e a direita fascista, a se realizar na Redenção, no dia 29 de setembro, inclusive com participação organizada do interior (bastaria que as delegações que vierem à assembleia do dia 28 permaneçam em Porto Alegre).
         Neste ato, levantaríamos as nossas bandeiras em defesa da educação pública e contra a ameaça da direita fascista e do seu programa de governo, que está presente também no MDB, PSDB, Democratas e outros. Além dessa participação no ato, defendemos um real trabalho de base que sirva para preparar as condições futuras de greves fortes, conscientes e vitoriosas, partindo de um debate profundo sobre a atual conjuntura e a postura dos grevistas. Parte fundamental desse debate de formação está em combater a atual ideologia da direita fascista de que foram as políticas públicas do PT que “levaram o país à crise” e que apenas um governo de “pulso firme”, tipo o proposto pela direita fascista, pode solucioná-lo. Não compactuamos com esta mentira, embora saibamos muito bem para quem o PT governou. Os governos Lula e Dilma tiveram sua parcela de responsabilidade na crise atual não porque supostamente são “socialistas” e aplicaram “programas sociais”, mas porque se subordinaram ao sistema financeiro, ao agronegócio, às multinacionais e fizeram alianças políticas bizarras com a velha elite do país (inclusive a atual direita em ascensão), dando lucro recorde aos bancos e se adaptando totalmente ao sistema.

- Cerrar fileiras contra a direita fascista! Debater e organizar uma frente anti-fascista para além das eleições!
- Não deflagrar greve sem condições: participar organizadamente do ato contra a direita fascista levantando as nossas bandeiras em defesa da educação pública!
- Não à demissão dos educadores contratados!
- Não à decisão judicial contra o CPERS que apenas legaliza a censura!