1 de jun. de 2017

MANIFESTO DA CHAPA 4 À SOCIEDADE GAÚCHA

Construir um novo CPERS pela base!

        Vivemos no país e no mundo o avanço da barbárie capitalista: guerras, aumento do desemprego e da miséria, retirada de direitos em larga escala, explosão da violência urbana, falta de perspectiva no futuro, desesperança em escala industrial. A crise do capitalismo desagrega a sociedade e despedaça o futuro dos trabalhadores e seus filhos, ao mesmo tempo em que patrocina a grande mídia e alguns intelectuais do senso comum para iludir o povo de que é o único sistema possível. Atacam a luta dos trabalhadores; demonizam o socialismo! Confundem-no com os crimes daqueles que o traíram. Transferem toda a desesperança gerada pela decadência da sociedade capitalista para o socialismo.
        Ao Brasil, o “livre” mercado reserva à eterna periferia do sistema. Todas as crises do centro se refletem de forma brutal aqui. A última “marolinha” da crise econômica internacional significou o golpe do impeachment e a atual cruzada da burguesia e da sua mídia contra os direitos dos trabalhadores. Querem destruir a CLT, a Previdência, os mínimos direitos dos trabalhadores rurais. Se puderem restaurarão a exploração dos primórdios da Revolução Industrial (tal como na China atual), os velhos privilégios feudais no campo e a escravidão, revogando a Lei Áurea.
O governo Temer (PMDB e asseclas) se atola em escândalos de corrupção que traduzem a sua essência. Ele tenta, com unhas e dentes, se manter no governo para concluir o seu pacote de destruição dos serviços públicos e, assim, garantir estes recursos à dívida pública. Aqui no Estado, o governo de Sartori (PMDB e asseclas) – que como líder do governo Brito na Assembleia Legislativa foi o responsável por fazer aprovar toda a sua política privatista e selar a crise financeira do Estado, além de privatizar inúmeras empresas públicas, como a CRT – após muita manipulação das pesquisas eleitorais, se vendeu como o solucionador dos “problemas financeiros” do RS que ele mesmo ajudou a criar. Ele aplica o mesmíssimo programa de Temer. Soubemos pelas delações, que Sartori também recebeu propina da JBS para a sua campanha eleitoral através de Aécio Neves. Estamos pagando muito caro todas as demagogias do nosso corrompido sistema eleitoral. O governo Sartori e Temer selarão nosso destino de semicolônia e cimentarão a falta de esperança no futuro, que se desenha a nossa frente como um grande grilhão escravocrata preso aos nossos pés, enquanto que a sanha insaciável do grande capital ri satisfeita.
        Os ataques da grande mídia, da burguesia e do imperialismo contra o PT através da Operação Lava Jato são uma grande farsa que servem apenas para criminalizar toda a esquerda, sem distinção, enquanto livra a cara dos políticos da direita tradicional, sobretudo os do PMDB e PSDB. Visam criar um clima político de descrença geral para que o governo Temer/Sartori possa tentar “solucionar a crise” dos lucros da burguesia e nos mantenham presos ao inferno do capitalismo em decadência.
Apesar da farsa chamada “Lava Jato”, é preciso dizer que o projeto político e o sindicalismo cutista, sustentados pelo PT, faliram. Não são capazes de deter esta ofensiva brutal da burguesia contra nós. Frente aos ataques impiedosos e certeiros da direita, através dos governos Temer e Sartori, precisamos organizar os trabalhadores para resistir de uma forma séria, sem nenhum tipo de ilusão demagógica e eleitoreira. O sindicalismo cutista, amplamente hegemônico na “esquerda” brasileira e, em especial, no CPERS, não é capaz de ir além de uma “greve” geral de um dia. É preciso romper a camisa de força das burocracias sindicais e organizar os trabalhadores pela base, conscientizando-os do tamanho da nossa luta e de novos métodos para organizá-la e potencializá-la.
        As atuais chapas que se apresentam ao processo eleitoral para a direção do CPERS são variantes deste mesmo sindicalismo cutista (apesar de serem de centrais diferentes). Todos os principais nomes envolvidos nelas, de uma forma ou outra, já estiveram na direção do nosso sindicato, inclusive em chapas conjuntas. Há mais de 30 anos apenas fazem uma verdadeira “dança das cadeiras” para reeleições, visando a manutenção da influência sobre o aparato sindical. A política reformista e conciliadora, que tem medo de se enfrentar seriamente com os governos e de dizer a verdade à base de nossa categoria, por mais amarga que seja, levou o CPERS ao atual estado de descrédito e ao total afastamento do chão das escolas. A manutenção da atual chapa da CUT à frente do CPERS significa novos golpes e catástrofes na nossa luta; mas tampouco a eleição da suposta “oposição” (que já dirigiram o nosso sindicato em muitas gestões) representará uma mudança real.
        Apresentamos orgulhosamente a nossa chapa – Construção pela Base! Por um CPERS organizado pela base e de luta pelo socialismo! – para reverter este estado de coisas. Somos formados por educadores do chão de escola, sem liberação sindical ou vinculação com os partidos burgueses e reformistas. Nossa corrente sindical e os independentes continuam fiéis ao programa que defendiam há três anos atrás. Queremos um novo sindicalismo, classista de fato, organizado pela base e revolucionário. Precisamos inverter a atual estrutura do CPERS e fazer dele um instrumento de luta real, pulsante, como uma via de duas mãos entre base e direção.  Pretendemos acabar com o carreirismo, o personalismo e o burocratismo do sindicalismo reformista, para colocá-lo no caminho da luta independente, não apenas em palavras (como certamente farão inúmeras das chapas de “oposição” de ocasião), mas no campo de batalha da luta de classes.
        Chamamos a todos os professores e funcionários, ativistas e correntes classistas e independentes, para que juntos venham fortalecer este projeto. Leiam e divulguem o nosso programa. Criem um comitê de solidariedade e campanha em sua escola e região. Ajudem a divulgar os nossos materiais. Precisamos quebrar não apenas a hegemonia dos governos e da mídia dentro da nossa categoria, mas, sobretudo, a dominação da burocracia sindical, sem o qual não haverá luta independente por parte do nosso sindicato.
        O CPERS é nosso! Tenhamos ousadia e coragem de tomá-lo pela base!


Chapa 4
Construção pela Base

Por um CPERS organizado pela base e de luta pelo socialismo


24 de mai. de 2017

AS ELEIÇÕES DO CPERS E A BUROCRACIA SINDICAL

O palco está armado para as eleições do CPERS. Já tem data marcada (27 e 28 de junho) e comissão eleitoral (formada pelas correntes majoritárias). No horizonte se desenham 4 chapas para a direção central. O processo de formação de chapas nos deixa algumas lições importantes que demonstram o caráter da disputa por parte da burocracia sindical que iremos acompanhar nas próximas semanas.
            A atual direção do CPERS (composta por PT, PCdoB e PDT; CUT e CTB) já está em plena campanha eleitoral desde o ano passado. Organizou “caravanas” pelo interior que nada mais eram do que a sedimentação da sua base eleitoral; realizou encontros de aposentados com a mesma finalidade, além de se utilizar do jornal Sineta como um meio de propaganda enganosa, demonstrando os “seus feitos e realizações”. Já estão arrecadando apoio político e financeiro da CUT e da CTB, dentre outros meios espúrios. Em novembro de 2016 a atual direção petista lançou-se numa cruzada jurídica contra a antiga direção, não para resolver os problemas de prestação de contas da entidade (que continuam), mas para criminalizar os antigos dirigentes visando criar as condições para impedir que disputassem as eleições. Foram derrotados, mas as correntes da antiga direção, que se uniram naquele momento, voltaram a se dividir em razão dos cargos e da vaidade para a disputa eleitoral de junho.

Vaidade apenas ou vaidade a serviço de um programa?

            Vários setores da “oposição” à atual direção defendiam a unificação de todas as correntes que se dizem de “oposição” para tirar as correntes petistas, que aprofundaram os estragos burocráticos e o afastamento da base em relação ao CPERS. No velho estilo das eleições burguesas, tentaram aplicar aquele discurso que escutamos seguidamente: “votar no PT para evitar a volta da direita”; ou seja, queriam “votar na antiga direção para evitar a vitória da atual”. Não restam dúvidas de que a continuidade da atual direção do CPERS só pode significar novas derrotas e o aprofundamento da burocratização sindical, porém, não se pode dourar a pílula em relação à suposta “oposição” (MLS, CS, PSTU, PSOL, PCB, CEDS, etc). Estes representam uma variante um pouco “mais à esquerda” do atual sindicalismo cutista e não podem evitar a volta do PT/PCdoB, seja hoje ou amanhã.
            O MLS e o PSTU já dirigiram o CPERS por duas gestões, junto com correntes menores (inclusive compartilhando tranquilamente diretorias com correntes petistas). Foram os responsáveis pela vitória da chapa da atual direção. A falta de coerência é um problema sério por parte desta “esquerda”, que precisa ser olhada e combatida de frente.
            O centro de toda essa disputa entre a dita “oposição” foi a convenção da CSP-Conlutas, realizada na Igreja Pompéia no dia 21 de abril, que indicou a cabeça de chapa do MLS. Esta indicação gerou uma crise entre esta “oposição” e o posterior racha, com inúmeras acusações e desculpas, de um lado e de outro.
            Não há nenhum argumento de programa ou diferença política. Ambos defendem exatamente o mesmo. Tanto é assim que estiveram juntos por duas gestões na direção central. Os discursos são sobre a validade ou não dos votos da tal conferência. A CS, que pretende encabeçar uma chapa do PSOL e da Intersindical com o apoio de correntes menores, como a CUT pode mais, acusou o personalismo da dirigente do MLS, que já foi presidente por duas gestões. Num verdadeiro jogo, a candidata do MLS propôs abrir mão da cabeça de chapa, mas mesmo assim a CS e a chapa do PSOL reafirmaram sua intenção de uma chapa em separado. Como se vê, o problema agora não é a cabeça de chapa, mas os cargos.
            Há aqueles que pensam, reproduzindo o senso comum, que a “esquerda” sempre se divide. Porém, podemos perceber que não há divergências programáticas ou políticas sérias, apenas ânsia por cargos e pelo controle do aparato. A prática sindical, tanto da atual direção, como da chapa que provavelmente será encabeçada pelo MLS e da outra, pela CS, é a mesma, com diferenças superficiais. Todas elas sabotaram, de uma forma ou outra, o fundo de greve, a organização pela base, a prestação de contas feita em assembleia geral, bem como algumas de suas decisões; rebaixaram o discurso e o programa, apoiaram greves patronais da CNTE-CUT, defendem a continuidade da submissão do CPERS à CNTE (e, portanto, à CUT), dentre outros.
            Vimos recentemente a CS lançar um documento intitulado “Programa para revolucionar o CPERS”. É preciso radicalizar nas palavras quando não se pode fazê-lo pelos atos. Este é o intuito de tal documento. Muitos dos erros criticados neste texto foram cometidos pela própria CS, quando esteve em uma direção conjunta com o MLS e os demais. Reconhece, no ponto 26, o verdadeiro problema do qual sofre o CPERS: “para se fazer qualquer coisa, inclusive uma greve, é preciso que seja feito um acordo entre as correntes” (grifos nossos). Este erro, cometido por TODAS as correntes que estão disputando as eleições nas chapas maiores, não só não é e não foi combatido na prática pela CS, como não será combatido pelo MLS, que como nos demonstraram na tal conferência, preocupam-se em fechar os acordos em torno de cargos e nomes perpetuando esta prática nefasta (típica da democracia burguesa).
            Vários ativistas independentes e correntes minoritárias, dentre as quais, o MRT, defendem uma “unidade da oposição”, reconhecendo a burocracia sindical apenas na atual direção petista. As correntes da dita “oposição” (como MLS, PSTU, PSOL e cia) seriam anti-burocráticas e revolucionárias? Ignora a trajetória delas e o período em que estiveram na direção do CPERS, bem como tudo o que fizeram por lá. É uma falácia afirmar que existem diferenças de programa e de sindicalismo entre as chapas encabeçadas pelo MLS e a CS, e a chapa do PT (alguém viu uma auto crítica das primeiras em relação as suas numerosas unidades com as chapas do PT, bem como uma superação em relação ao seu sindicalismo? Por que todos defendem a CNTE?).

A “viabilidade” e a “governabilidade”

Toda uma parcela da vanguarda do CPERS tem medo de ousar e tentar quebrar esse círculo vicioso. Somos seguidamente acusados dos mais baixos adjetivos porque temos esta ousadia. Por não nos aliarmos a qualquer preço, tal como é a prática em voga no CPERS, apresentamos nossa chapa para combater estes e outros vícios que emperram nosso sindicato e a luta de nossa categoria.
A chamada “viabilidade” de uma chapa, tal como se fala de “governabilidade”, é o que tem levado o CPERS – dentre outros fatores – à situação em que estamos. Todo aquele que se diz independente dentro do CPERS e capitula para esse discurso e para esta prática estará, ao mesmo tempo, servindo de alicerce para tudo isso. Lutamos por um CPERS sem personalismos, sem vaidades; por um novo programa e um novo sindicalismo, não apenas no discurso, mas na prática, lançamos a nossa chapa independente, constituída por colegas do chão da escola, todos cansados destas mesmas manobras de bastidores. Mantemo-nos fiéis aos princípios que nortearam nossa chapa em 2014 (ao contrário da dança das cadeiras e de alianças que vem de longa data). Não se revoluciona um sindicato ou se derrota um governo a serviço do capital com o sindicalismo e as práticas de todas estas correntes que, de uma forma ou outra, já estiveram na direção central. É preciso coerência e coragem. Lançamos nossa semente! Esperamos que os colegas que realmente querem uma mudança dentro do nosso sindicato venham nos ajudar a regá-la.

10 de abr. de 2017

TODO APOIO À GREVE DOS MUNICIPÁRIOS DE CACHOEIRINHA

Foi com grande indignação e revolta que acompanhamos a brutal repressão da Brigada Militar à manifestação dos municipários de Cachoeirinha, que estão em greve há mais de um mês, contra o pacote de retirada de direitos do prefeito Miki Breier (PSB). Este governo, que ostenta a alcunha de “socialista”, é mais um engodo contra a classe trabalhadora, usado para melhor iludir o povo no sentido de facilitar a aplicação dos planos de ajustes da burguesia. O governo Miki Breier vem cumprindo o mesmo papel de Sartori e Temer (PMDB), que reprimem trabalhadores e governam para passar os custos da crise capitalista para os ombros dos trabalhadores.

Cenas da repressão do governo Miki Breier (PSB) contra os municipários em greve
        Durante a repressão policial sobre os grevistas e o povo de Cachoeirinha, a grande mídia – em especial a RBS – tentou demonstrar os “excessos” dos dois lados, visando criminalizar os manifestantes que ocuparam a Câmara de Vereadores. Não podemos aceitar esta manobra! Os municipários em greve foram obrigados a ocupar a Câmara porque não há diálogo algum com a prefeitura, que tem pressa e quer passar o seu pacote de ajuste goela abaixo do funcionalismo e do povo em geral. É mais uma demonstração que a “democracia” em que vivemos é uma farsa e exclui qualquer possibilidade de diálogo: o que importa são os interesses do grande capital em crise, que não podem esperar. Se os municipários não tivessem radicalizado sua luta, certamente o governo de Miki Breier teria atingido seu objetivo sorrateiramente. O único excesso que existiu neste episódio foi o da Brigada Militar, que agrediu e reprimiu violenta e covardemente centenas de pessoas desarmadas e que apenas clamavam por serem ouvidas. Não esqueceremos de mais esta agressão! Felizmente, os grevistas resistiram e continuam resistindo.
        A “crise financeira” do município de Cachoeira é tão farsesca e montada como a “crise financeira” do Estado e da União. Todas estas “crises” são reflexos dos problemas com a dívida pública, das isenções de impostos e das privatizações. São o álibi que os governos tem encontrado para jogar a opinião pública contra os servidores e o movimento sindical. Mas apenas as mentiras da mídia não bastaram: está sendo preciso usar a Brigada Militar para reprimir qualquer forma de resistência.
        Ao contrário das greves do CPERS, a greve dos municipários de Cachoeirinha teve o mérito de ser deflagrada em um momento propício, além de realizar reuniões do comando de greve abertas, com a adesão de mais de 100 pessoas e com encaminhamentos democraticamente construídos. Este é um método que o CPERS precisa urgentemente aprender. Além disso, o nosso sindicato, por sua influência e condições materiais, poderia ajudar muito mais a luta em Cachoeirinha do que simplesmente lançar uma notinha na internet. Seria preciso uma grande campanha para desmascarar a mídia burguesa em sua tentativa de criminalização dos lutadores, uma denúncia aberta do governo Miki Breier e da Brigada Militar, além, é claro, de prestar ajuda material.
        Nos somamos ao Comitê de solidariedade aos municipários de Cachoeirinha para fortalecer a sua luta e a sua greve no sentido de derrotar o governo mercenário e capitalista de Miki Breier. A luta dos municipários de Cachoeirinha é a nossa luta; a sua vitória é a nossa vitória! Não desistam, companheiros! Até a vitória, sempre!

2 de abr. de 2017

ENCERRAR A GREVE E CONSTRUIR UM PLANO DE LUTAS COERENTE

         Panfleto para a Assembleia Geral do dia 31/03/2017

        A greve proposta pela direção do CPERS (PT, PCdoB, PDT, CUT, CTB), e pelas correntes da dita “oposição” (MLS, PSTU, PSOL e seus satélites), evidencia a irresponsabilidade das burocracias sindicais, que não levam em consideração o estado de ânimo da classe e análise de conjuntura. Nossa proposta de não greve partiu da percepção do baixo ânimo da classe para a luta, em função de inúmeras derrotas e traições, descontos salariais recentes e perseguições políticas. A deflagração de uma greve significa declarar guerra contra nosso inimigo de classe. Se deflagrarmos uma greve com adesão de 1% de nosso exército, saberemos que nossa luta será derrotada. Uma direção que age desta forma, na verdade, tem um interesse claro de derrotar sua classe.
         Os ataques dos governos Sartori e Temer (PMDB) não cessaram. O último, tentando reduzir o seu desgaste político, transfere a responsabilidade da aplicação da Reforma da Previdência para os governadores e prefeitos. Os governos continuam a enviar para o parlamento pacotes de retirada de direitos a mando do grande capital. As burocracias sindicais de CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CSP-Conlutas e do CPERS, são cúmplices dos governos, tendo em vista que não trabalham pela unificação pela base dos trabalhadores. O objetivo da CUT e da CTB é apenas desgastar o PMDB e o PSDB para alavancar o PT nas eleições de 2018. Por isso não podem dirigir nenhuma greve geral consequente. Continuam a iludir os trabalhadores de que através das eleições é possível humanizar o capitalismo, o que é uma grande mentira passada como verdade em todos os fóruns dirigidos por eles. A burocracia não tem interesse numa luta consequente, pois mobilizações massivas, com trabalhadores conscientes e organizados, a faria perder o controle do movimento e do sindicato, ou a obrigaria a dar um novo golpe contra a base.
         Levando em conta o esvaziamento de nossa greve é necessário encerrá-la, pois na prática já está encerrada, e devemos apontar para um calendário de luta que vise mobilizar o chão das escolas a partir de sua própria experiência, unificar nossas lutas com os demais trabalhadores e estudantes. Dentre as diversas propostas de mobilização distracionistas aprovadas pela última assembleia geral (no dia 8 de março), cabe destacar como correta a seguinte resolução: “unificar a luta com os demais sindicatos de trabalhadores/as e demais movimentos, criando comitês municipais e nos bairros contra as reformas neoliberais e demais ataques dos governos federal e estadual”. Este deveria ser o eixo de atuação do CPERS para o próximo período. Estes comitês poderiam debater e encaminhar um calendário de luta coerente que refletisse suas condições. O problema, contudo, é que esta resolução, essencialmente correta, não sai do papel em razão da prática da burocracia sindical, que a defende em tese, mas não mexe uma palha para torná-la realidade. Nesse sentido, seria fundamental que as grandes centrais sindicais, partidos e organizações de esquerda colocassem todo o seu peso nesta tarefa de UNIFICAÇÃO COM OS DEMAIS TRABALHADORES como eixo central.
A classe trabalhadora é uma só e está sofrendo a maior retirada de direitos dos últimos tempos. Para combater estes ataques é necessário a UNIFICAÇÃO DE TODOS OS TRABALHADORES contra os planos de arrocho do capital e seus governos, organizando encontros unitários de base de diferentes sindicatos para debater o caráter dos ataques, táticas de enfrentamento, autodefesa, o aprofundamento da barbárie capitalista e as possibilidades de superação, como o socialismo.
         Para derrotarmos os ataques do governo precisamos mesclar táticas e, mais do que tudo, firmar um sindicalismo classista e revolucionário para superar o cambaleante sindicalismo reformista. Nesse sentido, é preciso que os trabalhadores conscientes superem também a burocratização sindical do CPERS e da estrutura sindical brasileira.

20 de mar. de 2017

CRÔNICA DE UMA DERROTA ANUNCIADA

A greve deflagrada na assembleia geral do dia 8 de março, proposta pela direção do CPERS (PT, PCdoB, PDT, CUT, CTB), pelas correntes da dita “oposição” (MLS, PSTU, PSOL e seus satélites) e amparada pelo Conselho Geral, apesar de ser apoiada por um setor da “vanguarda” do sindicato, evidencia a irresponsabilidade das burocracias sindicais, que não levam em consideração o estado de ânimo da classe e uma análise de conjuntura consequente. Em uma assembleia esvaziada, que reuniu um pouco mais do que 1500 educadores, se deram falas, selecionadas no critério burocrático e excludente que já conhecemos, que polarizaram em torno de dois pontos irrelevantes: a direção central, apoiada por algumas correntes de “oposição”, propôs que a deflagração da greve deveria ser a partir do dia 15/03; e a dita “oposição” já a partir do dia 08/03. O fato é que as burocracias unidas defenderam a greve por tempo indeterminado, disputando apenas a data de quando começar,  desconsiderando todo o resto da realidade.  A importante discussão sobre a possibilidade  da greve deu lugar à discussão vaidosa de quando iniciá-la (8/03 ou 15/03).
Nossa proposta de não greve, apresentada na assembleia, parte da análise de uma conjuntura e correlação de forças desfavoráveis neste início de ano – que está marcada por uma ofensiva do governo contra ativistas, removendo e demitindo. Nossa proposta partia da percepção do baixo ânimo da classe para a luta, em função de inúmeras derrotas, descontos salariais recentes e perseguições políticas. Um exército quando se coloca em movimento contra o inimigo deve levar em consideração o ânimo de seus combatentes, a munição e a força de seu exército, pois para deflagrarmos uma greve estamos em guerra contra o nosso inimigo de classe. Se saímos para uma greve fracos, desanimados e com 1% de nosso exército, saberemos que nossa luta será derrotada. Um “general” que age desta forma, na verdade, tem outros interesses que não são o da vitória do seu próprio exército.
O setor que se diz “oposição” à direção do CPERS (MLS, PSTU, PSOL, CEDS e outros), vinculados à CSP Conlutas e à Intersindical, que trabalhou abertamente pela desfiliação da CUT, fez um seguidismo absurdo e cego em relação à CNTE, que é a reminiscência da CUT dentro do nosso sindicato. Agem assim porque no fundo praticam o mesmo sindicalismo e tem o mesmo programa para dirigir o sindicato, que é o de governar e reformar o capitalismo, a despeito do discurso em contrário. Para eles foi uma “vitória” a CNTE ter proposto uma greve nacional contra os ataques do governo Temer, só não dizem em que condições concretas isto seria possível.
Há, sem dúvida, a necessidade de uma ampla luta contra os ataques do capital, expressos hoje pelo governo Temer (PMDB), Sartori (PMDB), Marchezzan Jr (PSDB) e pela grande mídia. Nossa luta é defensiva, isto é, lutar para não perder: contra a “Reforma” da Previdência, o congelamento e parcelamento de salários, a demissão de trabalhadores contratados, fechamento de turnos, escolas e remoção de professores. Porém, isso não pode ser artificial, como faz a burocracia, que propõe qualquer movimento com objetivo de desgastar os governos, para que os seus assumam nas próximas eleições. Além de sua adaptação ao Estado burguês, praticam um sindicalismo de cúpula, em que determinam “greves” de cima para baixo, praticando a conciliação de classe por cima e a desorganização de base por baixo. Em razão da ausência sistemática de trabalho de base e de uma política classista coerente, a greve no RS está praticamente inexistente. A nossa categoria parou parcialmente no dia 15, que era parte do calendário oficial da CNTE-CUT. Neste dia vimos algumas categorias profissionais nas ruas, mas ficamos muito aquém do que precisávamos. A nossa categoria ficou em casa e a CNTE-CUT trabalhou para canalizar este princípio de movimento de descontentamento com a “Reforma” da Previdência para o campo eleitoral, de olho em 2018.
Uma greve no momento atual, independentemente de ser deflagrada no dia 8 ou 15 de março, é mais uma demonstração da inconsequência da burocracia sindical. Há uma sonegação sistemática do número de adesão pelos núcleos e pela direção central, o que dificulta uma visão do todo enquanto classe. O fundo de greve tornou-se um tabu por parte da burocracia sindical, que quer manter a todo custo o seu monopólio sobre as finanças do CPERS. O comando de greve novamente foi eleito entre quatro paredes e reflete a hegemonia total da atual direção sobre ele. Este comando, que é composto também por todas as correntes da dita “oposição”, não propõe nenhuma agenda de luta real, nem faz um levantamento sistemático da adesão para dar clareza à base, muito menos denuncia o papel sabotador da luta concreta por parte da direção central. É tão irresponsável quanto a direção central.
Temos todos os motivos do mundo para fazer greve, mas isto apenas não basta. Há que se avaliar constantemente a disposição por parte da categoria, que hoje, infelizmente, reflete as várias traições e sabotagens políticas por parte da burocracia sindical. Apesar disso, somos contra culpabilizar os colegas do chão da escola como muitos ativistas da vanguarda fazem, como se a não adesão da base fosse o principal motivo do fracasso das nossas greves. Estes setores assumem uma postura bastante sectária com relação aos nossos colegas e ignoram o peso morto da burocracia sindical e de toda a sua orientação política.
Que peso tem na disposição de luta da base as traições do Pepsi On Stage (2015), desmonte da ocupação do CAFF e conivência com o desmonte de ocupações de escola por parte da UMESPA (maio e junho de 2016), uma greve finalizada pelo facebook (dezembro de 2016) e pelos sucessivos descontos salariais, resultado de greves conduzidas irresponsavelmente? Pra piorar, muitos colegas contratados estão sendo demitidos em meio a própria “greve” e a direção do CPERS nada faz, apenas reforça sua política reacionária de omissão em relação aos setores mais precarizados de nossa categoria. O que fará o comando de greve em relação a estas demissões?
O resultado inevitável desta greve sem condições é o aprofundamento da desmobilização e desconfiança na classe. A burocracia sindical não dá a menor importância para isso. É preciso que em cada escola se debata o papel das burocracias sindicais e tente superá-las com organização de base por local de trabalho, com aulas públicas, panfletagens, agitações, conversas com a comunidade escolar, organização por zonais, etc. Não há condições de enfrentarmos sozinhos os ataques dos governos a serviço do grande capital. Para isso, temos que unificar a nossa luta com os demais trabalhadores, propor pautas em conjunto, unificações de lutas e calendários. Os municipários de Porto Alegre, bem como categorias federais, tem sofrido os mesmos ataques e as mesmas ameaças: é fundamental buscar e querer esta luta conjunta, bem como os sindicatos do setor privado. As nossas palavras de ordem precisam ser debatidas nas bases e criar raízes nela. Para que ela lute com consciência, precisa entendê-las e saber hierarquizá-las. Nada disso foi feito antes da deflagração desta nova aventura da burocracia sindical.
Para preservarmos a disposição de luta da classe é fundamental chamarmos uma nova assembleia geral e encerrarmos a greve, mas propondo um novo calendário de luta que siga a denúncia contra o governo Sartori (PMDB) e a sua política, tal como o fechamento de turmas, a demissão dos trabalhadores contratados, a remoção de professores e a “Reforma” da Previdência do governo Temer. A burocracia sindical só propõe greve para aparecer como “combativa”, mas é por trás desta aparência que ela cava a nossa cova. Para evitarmos isso, reafirmamos a importância de aprovarmos com urgência um calendário de luta por núcleo e escola para o próximo período.