29 de jan. de 2012

UMESPA:UMA AGÊNCIA DO GOVERNO NO MOVIMENTO ESTUDANTIL

UMESPA:UMA AGÊNCIA
 DO GOVERNO NO MOVIMENTO ESTUDANTIL

       A União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Porto Alegre (UMESPA) é uma entidade estudantil ligada à UGES (União Gaúcha dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e UNE (União Nacional dos Estudantes). Todas elas nasceram com a finalidade de unificar a luta do movimento estudantil em defesa da educação pública, mas não é isso que ocorre na prática. Um longo processo de burocratização as cooptaram e as adaptaram à ordem da sociedade capitalista. De organizadoras da luta no passado, passaram a ser seu freio no presente. Camarilhas burocráticas de “estudantes profissionais” se apossaram de suas direções e as controlam com mãos de ferro, mas com um discurso demagógico. Os interesses dos estudantes são substituídos pelos interesses destas camarilhas dirigentes e seus respectivos grupos políticos. A este processo chamamos burocratização.
       Esta cooptação política ocorre, sobretudo, através do recebimento de verbas dos governos Federal, Estadual e Municipal. É sabido que a UNE, por exemplo, recebe milhões do Governo Federal para realizar seus congressos, eventos e “lutas”. O último congresso da UBES, realizado no final de 2011 na cidade de São Paulo, foi “agraciado” pelo governo Kassab (PSD) com uma generosa soma de R$1 milhão. Quem paga a banda escolhe a música. Congressos que deveriam servir para organizar a luta tornam-se festas e um palco político para o governo.
       Em razão disto, a luta estudantil não passa por estas entidades. A UMESPA, em especial, está fora de todas as principais lutas travadas pelo movimento estudantil da capital gaúcha nas últimas décadas. Pior do que isso: estava na trincheira oposta, de mãos dadas com os governos, supostamente falando “em nome” dos estudantes e os “representando”. Os seus congressos, ao invés de preparar a luta, são teatros burocráticos já decididos de antemão. Não existem discussões prévias. Os estudantes são recrutados nas escolas com o discurso de “festa” e de “turismo”, mas com a real finalidade de fazer número e dar quorum a estes congressos “laranjas”.
       Os grêmios estudantis controlados pela UMESPA refletem esta lógica geral. Os estudantes não são conscientizados, mas alienados. A UMESPA usa o aparato dos grêmios como verdadeiras fábricas de carteirinhas do TRI. Cobram um valor 10 vezes mais caro do que seu preço de custo. Um serviço que deveria facilitar a vida do estudante, na realidade torna-se mais um fardo, fonte de exploração e de roubalheira. Todo o início de ano em Porto Alegre, a UMESPA participa da reunião do COMTU (Conselho Municipal de Transporte Urbano) e vota a favor do aumento das passagens solicitado pelos empresários. A questão do transporte público interessa duplamente à UMESPA: ao servir como um ponto de apoio aos empresários do transporte e à prefeitura, ela se credencia como “entidade legítima” dos estudantes perante os órgãos públicos, fazendo dos direitos dos estudantes uma fonte de renda ilícita. Por tabela, nenhum dos grêmios estudantis ligados a UMESPA organiza luta contra o aumento das passagens. Muito antes pelo contrário, estas entidades são engessadas para que não atrapalhem os planos da prefeitura e dos empresários do “transporte público”. Inevitavelmente eles solicitarão novo aumento em 2012. Acompanhemos os seus passos.
       Muitos dirigentes da UMESPA tratam o aparelhamento político dos grêmios e das outras entidades superiores como algo “natural”. Pegar dinheiro do caixa dos grêmios para suas próprias correntes políticas – com a falsa justificativa de “financiar a luta” – é uma prática comum. Estas camarilhas estudantis de UMESPA, UGES, UBES e UNE são ligadas aos seguintes partidos: PCdoB (UJS), PPL (Partido Pátria Livre, ex-MR-8), PTB e PMDB. Siglas bem conhecidas pela roubalheira em todas as esferas públicas. Cada um desses partidos burgueses não tolera oposição consciente, por isso, nos congressos estudantis impera a intimidação e as ameaças.
       Ultimamente temos visto no Rio Grande do Sul UMESPA e UGES sabotar a verdadeira luta do movimento estudantil contra a Reforma do Ensino Médio do governo Tarso e do Banco Mundial. Como estão ligados ao governo por milhares de vínculos, não podem travar nenhuma luta contra estes ataques do governo. A UGES foi mais longe e, no seu 56º Congresso Estadual, com delegados selecionados com o famoso critério da “festa” e do “turismo”, votou contra a greve dos educadores, deflagrada no dia 18 de novembro. Neste mesmo congresso fantasma falou o Secretário de Educação do governo. É por isso que Zero Hora deu destaque de primeira página a este congresso laranja (“Pais e líderes estudantis se insurgem contra greve”; ZH, 21/11/2011), que também foi entusiasticamente saudado pelo governo Tarso.
E sobre a mídia cabe uma reflexão particular: RBS e ZH usaram a expressão sensacionalista “se insurgem” com a evidente intenção de influenciar a opinião pública e, em especial, os estudantes, contra a greve. Este congresso da UGES serviu para dar um verniz de “veracidade” ao fato. Durante a greve, a mídia noticiava o tempo todo a baixa adesão, mas silenciou completamente sobre o baixíssimo número de presentes do referido “congresso estudantil”; inclusive omitiu a participação do Secretário. Como prova de que estas entidades não representam os estudantes, as reais lutas estudantis de Porto Alegre e do interior aconteceram por fora e apesar delas, desmentindo completamente a suposta “insurreição” contra a greve. A realidade era exatamente o oposto: os estudantes e a comunidade escolar se colocaram a favor da greve e contra a Reforma do Ensino Médio.
       O grau de burocratização destas entidades as torna praticamente indisputáveis pelo setor consciente do movimento estudantil. É por isso que para haver luta coerente é preciso denunciá-las e destruí-las e construir uma nova. Não é isso que faz a ANEL. Segundo seu congresso de fundação, optou por “não demarcar fronteiras com a UNE”. Por toda a sua prática, destruir a UMESPA e as demais entidades governistas não é uma prioridade da ANEL (que é dirigida majoritariamente pelo PSTU). Esta tarefa recai sobre os ombros dos estudantes conscientes, que, além de lutar contra a Reforma do Ensino Médio e os demais ataques do governo, precisam lutar contra estes inimigos na trincheira.

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