9 de mar. de 2015

DIREÇÃO E CONSELHO GERAL AMPLIADO MANTÉM A POLÍTICA GOVERNISTA


        Ao contrário do que a direção do CPERS afirma em seu panfleto recente de que realizou “inúmeras ações para reconquistar a confiança da categoria no sindicato e proporcionar a auto-estima dos trabalhadores em educação”, estamos vendo exatamente o oposto. Como é possível reconquistar a confiança da categoria se a atual direção não defende os trabalhadores contratados demitidos e rasga as resoluções aprovadas no Congresso do sindicato de encaminhar o debate de desfiliação da CUT? O Conselho Geral ampliado de 20 de fevereiro, no Plaza São Rafael, aprovou um calendário que não contempla as necessidades e a organização da categoria frente à ofensiva dos governos Dilma e Sartori na retirada de direitos.
        Além disso, promoveu uma palestra de apoio ao governo Dilma sobre os casos de corrupção da Petrobrás, sendo esses casos utilizados pela oposição de direita para pressionar o governo para que cumpra ele próprio o programa do imperialismo dos EUA, quando se sabe que todos os partidos (incluído o PSDB) estão envolvidos desde sempre na corrupção em geral e contra a Petrobrás em particular. O governo FHC (PSDB) iniciou a privatização da Petrobrás, fatiando a sua administração entre o governo e o capital privado. Porém, os governos Lula e Dilma (PT) não mudaram em absolutamente nada a sua forma de funcionamento, mantendo a política de capital misto (que a CUT chama eufemisticamente de “partilha”) e entrando no esquema de corrupção junto às empreiteiras e grandes empresários. Este “detalhe” a CUT não reconhece.
No que diz respeito ao “plano de lutas”, podemos constatar que não há nenhuma intenção séria em sua construção e nem a mínima sintonia com os interesses da base, sobretudo aquela mais precarizada. Por exemplo: ignora completamente os contratados demitidos (pior do que isso: trabalha por consolidar a sua situação de ausência de direitos). Para estes trabalhadores não há nenhuma palavra de ordem. Por isso é uma piada de mau gosto ouvir que a atual direção trabalha para “proporcionar a auto-estima dos trabalhadores em educação”; ela faz justamente o contrário. A forma como é feita a exigência da “continuidade das nomeações” faz o jogo da divisão da categoria porque ignora a condição dos inúmeros contratados (que somam cerca de 40% do total). Joga um setor contra o outro e, desta forma, não é possível existir movimento sindical classista. O restante do plano é composto por declarações ao vento (quando são aparentemente progressivas) e por políticas de sustentação do governo Dilma. Não se fala, por exemplo, em nenhuma luta contra as MPs 664 e 665 que retiram direitos trabalhistas (seguro-desemprego, pensão por morte, abono salarial e auxílio-doença). A CUT e o CPERS afirmam ser contra estas medidas em seus últimos panfletos, mas na prática são coniventes.
        A luta contra os cortes e ataques do governo Sartori nem sequer foram mencionados. No material já citado, podemos ler que “a nova direção foi eleita com a bandeira da união, do diálogo e da negociação. Foi assim que buscou avanços junto ao governo Tarso. Com o novo governador, José Ivo Sartori, mantém a mesma postura”. Interessa ao governo Dilma e, por extensão, à CUT, a “estabilização” política e econômica do RS para garantir o pagamento das dívidas aos banqueiros e agiotas nacionais e internacionais. Ou seja, a direção do CPERS trabalha para manter a sintonia das políticas estaduais e nacionais, uma vez que elas fazem parte dos mesmos interesses políticos e econômicos. Basta ver a política de cortes do governo Dilma a nível federal e a de Sartori no Estado, bem como o terrorismo psicológico feito através da grande mídia que respalda os ataques de ambos governos. Os ataques de Beto Richa (PSDB) no Paraná também correspondem a mesma política. O governo Dilma não poderia tolerar outro levante do funcionalismo como ocorre no Paraná. É por isso que aqui a CUT e o CPERS não debatem um plano de luta sério, puxando para pra trás a consciência de classe e, principalmente, as mobilizações.
        No “plano de lutas” aprovado está presente a continuidade de apoio ao Plano Nacional de Educação (PNE) privatista do Banco Mundial e também do Plano Estadual de Educação (PEE); a participação do CPERS nas paralisações pelegas da CNTE-CUT, que apenas defendem incondicionalmente a política do governo Dilma, bem como a ilusão da política de garantir os royalties do pré-sal para a educação pública. Os royalties do pré-sal fazem parte da atual política econômica da Petrobrás, baseada na “partilha”, que leva à corrupção que estamos acompanhando atualmente. Além do mais, estes royalties representam menos de 5% de tudo o que será arrecadado nestes campos petrolíferos pelas multinacionais. Esta é a política do governo usada como chamariz para enganar os educadores e os estudantes do país, ludibriando-os com os royalties em troca do apoio ao PNE – que é um plano privatista do Banco Mundial e dos demais organismos financeiros nacionais e internacionais – e, também, à atual política da Petrobrás.

        Frente a este estado caótico em que se encontra a nossa categoria, cabe a pergunta: a quem interessa a filiação na CUT que defende toda a política dos governos Dilma e Sartori? E mais ainda: as resoluções aprovadas neste Conselho Geral fazem a luta da categoria avançar ou retroceder? O fato é que a máquina de propaganda da CUT está a todo vapor e é preciso que os trabalhadores em educação conscientes desfaçam todas estas falácias políticas, uma a uma.

21 de jan. de 2015

INTENSIFICA-SE A CRISE CAPITALISTA: GOVERNADOR SARTORI E DILMA UNIDOS CONTRA OS TRABALHADORES

    O governador recém-eleito, José Ivo Sartori (PMDB), sancionou o projeto que já tinha sido aprovado na Assembleia Legislativa por unanimidade no final do ano passado pelos deputados de todos os partidos (PMDB, PT, PSB, PSDB, DEM, PPS, PTB, SDD, PRB PP, PCdoB e PDT), que aumenta os salários do governador (45,97%), vice, secretários (64,22%) e dos deputados (26,34%). Também foram beneficiados os servidores públicos que estão no alto da pirâmide salarial: membros do Judiciário, do Ministério Público, do Tribunal de Contas do Estado e da Defensoria Pública. Orientado pelos seus marqueteiros, Sartori rapidamente foi a público junto com o vice-governador dizer que renunciava ao aumento dos seus salários. O fato de demagogicamente abrir mão do aumento não impede o efeito cascata sobre outros setores da alta cúpula da burocracia estatal, com a cumplicidade de todos os partidos representados na assembleia legislativa do Estado.
Enquanto a politicagem de bastidores para a “governabilidade” do PMDB corre solta, 1000 educadores contratados foram demitidos pelo governo Tarso no final do ano passado com a “desculpa” mentirosa da posse dos novos professores nomeados, sendo que já existia um déficit de profissionais (professores, bibliotecários, supervisores, orientadores, agente financeiros) nas escolas antes das nomeações, que as novas nomeações de concursados não supririam a necessidade existente no Estado, portanto, tem lugar para todos. As demissões arbitrárias têm como objetivo: economia para os cofres do Estado, pois são dois meses sem pagamento, disseminar o terror da demissão entre os trabalhadores contratados, dividir a categoria entre contratados, nomeados e aprovados no concurso aguardando nomeação, e a continuidade da precarização do trabalho através dos contratos emergenciais. A falta de professores para o início do ano letivo já está informalmente anunciada.
O governo Sartori manteve as demissões, mostrando cumplicidade com a política oficial do governo anterior que já aplicava os seus “cortes”. Agora, seguindo os passos de Tarso novamente, ataca o IPE impedindo que os médicos conveniados recebam por procedimento, acelerando o seu desmonte com vistas à privatização.
A crise da burguesia continua e seus custos sendo repassados aos trabalhadores. O governo Dilma através da Medida Provisória 665, de 30 de dezembro de 2014, que entra em vigor 60 dias após sua publicação, ataca o seguro-desemprego, pensão por morte, abono salarial e auxílio-doença, com objetivo de dificultar a concessão desses direitos, e economizar a custa da qualidade de vida dos trabalhadores. Aumentou o tempo mínimo para concessão do seguro desemprego dos atuais seis meses para um ano e meio pela primeira vez, será preciso ter 12 meses na segunda requisição e 6 meses nos pedidos seguintes. Hoje, a carência é de 6 meses em qualquer momento, isto significa, que 63% dos trabalhadores demitidos poderão ficar sem o seguro desemprego pela nova regra. Nas despesas públicas o governo Dilma reduziu R$ 1,9 bilhão por mês. Na educação isso corresponde R$ 586 milhões a menos por mês (http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/01/planalto-corta-gastos-de-ministerios-e-educacao-e-a-area-mais-atingida-4677872.html). Assim como os governos, as multinacionais continuam resolvendo suas crises com demissões, como podemos ver com a luta dos operários da Volkswagen, no ABC paulista, contra a demissão de 800 colegas em que conseguiram reverter as demissões com uma greve que durou 11 dias. Embora os Planos de demissão voluntária continuem em razão das vacilações da direção cutista, devemos salientar que os trabalhadores fizeram greve pela reintegração dos colegas  e esse exemplo deve ser divulgado e seguido.
 Apesar de todo o jogo de cena das eleições, os governos Sartori e Dilma nos seus primeiros dias já demonstram estar em perfeita sintonia: governam para a grande burguesia e trabalham no sentido de cortar cada vez mais os gastos sociais; sancionam aumento para os deputados e para os demais políticos burgueses; aplicam planos de austeridade contra o povo; destroem os serviços públicos através das terceirizações e da precarização dos vínculos empregatícios. Contrastando com as exigências de contenção nos gastos públicos e do terrorismo midiático que apresenta os cortes orçamentários à população como a “única saída”, as ações dos governos Sartori e Dilma expõem a lógica perversa do funcionamento do capitalismo: para os trabalhadores arrocho e demissão; para os políticos da burguesia, aumento salarial em um flagrante deboche da realidade do povo (a demagogia da renúncia de Sartori não apaga o fato do aumento seguir vigente para todos os parasitas restantes). Tudo em nome da manutenção dos privilégios da burguesia e dos seus políticos, à custa do suor e do sofrimento dos trabalhadores, que, como sempre, pagam as crises periódicas do capitalismo. Assim é fácil apertar os cintos; contanto que o cinto seja o dos trabalhadores!
        Certamente que o episódio do aumento salarial dos políticos burgueses, seja aqui no RS ou a nível federal, deverá inflamar o ódio no coração dos trabalhadores e no povo em geral, muito embora, sem direção sindical e política organizada, esse ódio seja como espoleta sem pólvora. É preciso saber trabalhar a indignação dos trabalhadores e, em especial, da nossa categoria, explicando todas estas contradições, elevando o nível político e teórico dentro do nosso sindicato, e, sobretudo, demonstrando a estreita vinculação entre os ataques dos governos e os seus privilégios com a manutenção da sociedade capitalista, bem como sobre o papel cumprido pela burocracia sindical dentro do CPERS e a necessidade da base retomar o controle do sindicato.
A atual direção do CPERS (PT-CUT) não está nem um pouco interessada nisso. Os últimos ataques que a nossa categoria sofreu passaram em brancas nuvens: a demissão de 1000 trabalhadores contratados. O CPERS tratou estas demissões como caso particular, procurando uma saída de gabinete, meramente jurídica (ainda que seja importante, mas nunca como a saída principal). A única coisa que fez foi chamar alguns destes educadores para conversas particulares, enquanto que outras direções de núcleo isoladamente orientaram que os demitidos escrevessem “cartas de denúncias” para enviar à grande mídia, que não as publicou em lugar algum. Contudo, o CPERS e os seus núcleos não organizaram nenhuma luta, nenhuma campanha de denúncia e agitação, nenhuma forma de organização para lutar, nenhuma bandeira de luta política. A direção do CPERS não quer denunciar amplamente as demissões do governo Tarso e Sartori e vinculá-las com a crise capitalista. Pretende esperar para “ver o quadro” do início de ano, sendo que tudo aponta para a inevitável falta de professores. E mesmo que não faltassem professores, um sindicato pode ficar indiferente a demissão dos trabalhadores que supostamente representa? Em suma, a direção cutista do CPERS não respeita e não quer fazer respeitar o direito ao trabalho. É fiel ao seu sindicalismo de cúpula e reformista que mantém os trabalhadores de base reféns atônitos dos ataques que sofrem quase diariamente dos governos federal e estadual.

20 de dez. de 2014

CONTRA A DEMISSÃO DOS EDUCADORES CONTRATADOS! PELO DIREITO AO TRABALHO! QUE A BURGUESIA PAGUE PELA CRISE CAPITALISTA!

Todas as justificativas dadas pelo governo Tarso para a política de demissão de 1000 educadores contratados são falsas. A verdadeira intenção é cortar gastos, visando a contenção de despesas frente a crise capitalista internacional – que intensifica a chamada “crise financeira” do Estado –, e a criação de um clima psicológico propício à divisão dos trabalhadores e à aceitação da lógica meritocrática de empresa privada. Visa também dar um recado aos trabalhadores nomeados, uma vez que todos os planos aplicados pelo governo Tarso e Dilma (Pacotarso, PNE, PEE, Reformas educacionais, etc.) preparam as condições para a plena implementação da meritocracia, antigo projeto de FHC com vistas à demissão no serviço público. Os contratados, como o elo mais fraco, são os primeiros a terem as cabeças cortadas.
        Quando a RBS e o governo Tarso afirmam que “estes professores serão substituídos por professores nomeados” e que demiti-los no natal é para “não interromper o processo pedagógico”, estão blefando. Existe espaço para todos, principalmente quando sabemos que faltam muitos profissionais em várias escolas estaduais: professores, supervisores, bibliotecários, funcionários. Sobre a justificativa pedagógica é uma piada de mau gosto, pois em 2012 o governo Tarso removeu (e continua removendo e demitindo) educadores contratados das suas escolas sem nenhuma preocupação com o “processo pedagógico”.
O único objetivo, portanto, é cortar gastos com o funcionalismo público e disseminar a discórdia e o medo nos trabalhadores que ficam. Típica estratégia da burguesia, seguida à risca pelo governo Tarso (PT). E tudo isso quando os deputados estaduais, por unanimidade, votam a favor do aumento do próprio salário, do governador e de sua equipe. No limbo da troca de governos, o governo Tarso (PT) passa a patrola e o governo Sartori (PMDB) esconde-se atrás das “ações do antigo governo”. Quem paga a conta, como sempre, são os trabalhadores (e, neste caso, os mais precarizados)! As recentes declarações de Tarso sobre o “descongelamento dos altos salários e o futuro arrocho” do governo Sartori são cínicas (Sul 21). Os governos Dilma e Tarso também arrocharam salários, cortaram gastos, não nomearam servidores (muitos educadores não foram nomeados porque fizeram oposição sindical ao seu governo ou simplesmente porque eram muito “velhos”) e votaram a favor dos altos salários. Toda a bancada do PT votou a favor do aumento salarial de deputados, secretários e governadores não apenas na Assembleia Legislativa, mas no Congresso Nacional também.

PELA UNIDADE E SOLIDARIEDADE ENTRE NOMEADOS E CONTRATADOS!
        Neste momento é fundamental a solidariedade de classe entre educadores nomeados e trabalhadores contratados. Sem isso não é possível ter movimento sindical e, muito menos, enfrentamento aos governos neoliberais, que são os verdadeiros responsáveis por esta situação. A contratação “emergencial” no magistério vem de muitas décadas, portanto, nada tem de emergencial. É uma política permanente e massiva de admissão funcional. O governo Tarso não resolveu o problema com seus dois concursos, apenas utilizou-se desta divisão para conseguir implementar seus planos neoliberais – e continua utilizando-se até agora, ainda que tenha sido obrigado a nomear muitos trabalhadores.
        A luta contra os contratos “emergenciais” no magistério faz parte da luta geral dos trabalhadores contra a precarização do trabalho, política preferencial do capitalismo decadente para rebaixar salários e engordar os lucros da burguesia às custas do Estado e dos empregos nos serviços públicos. Por isso, é preciso unificar todos os trabalhadores contra a precarização do trabalho, o que não pode ser desvinculado da luta contra o capitalismo.
        Porém, temos visto a utilização desta divisão como forma de aprofundar a consciência pequeno-burguesa e individualista da categoria, jogando trabalhador contra trabalhador. As correntes políticas da burocracia sindical do CPERS não só não combatem esta consciência atrasada e divisionista, como a aprofundam. Governo e CPERS escondem sua crueldade e burocratismo atrás da suposta “defesa da legislação”. Ora, isso é um engodo! A legislação não pode estar acima dos interesses imediatos e históricos dos trabalhadores. Se assim procede uma direção sindical, isso significa que ela não serve para estar a frente de toda a categoria, pois sucumbirá à chantagem política e jurídica exercida pela burguesia. Seria possível elaborar uma política de defesa dos atuais contratados e da nomeação de novos servidores que passaram no último concurso. No entanto, a Articulação Sindical-CUT (PT) serve como apoio aos interesses políticos do governo Tarso (PT) – que são os mesmos da burguesia – em detrimento dos interesses dos trabalhadores de base; nesse caso, dos trabalhadores contratados, mas em inúmeros outros casos está contra os interesses dos trabalhadores nomeados também, sobretudo quando tolera e apóia as políticas que mexem e destroem o Plano de Carreira, por exemplo.
        É por isso que a atual direção do CPERS, que reforça a consciência pequeno burguesa da categoria, expressa principalmente nas redes sociais, não contribui para esta unidade e solidariedade. Pelo contrário. A aprofunda e não apenas deixa o caminho livre para as demissões dos colegas contratados, como também prepara o caminho para a destruição do Plano de Carreira e da educação pública através dos já citados projetos neoliberais que sustenta.
        O governo Tarso (PT) está se apoiando conjunturalmente na legislação e no sentimento de posse por parte dos novos nomeados para começar os cortes de gastos públicos, que são exigências do Banco Mundial e estão em sintonia com o governo Dilma, demitindo os 1000 trabalhadores contratados. Uma vez que esta etapa seja vencida, a artilharia neoliberal dos governos (seja PT, PMDB ou qualquer outro) se voltará inteiramente contra os direitos dos nomeados. Já podemos ver sintomas desta política hoje mesmo através das tentativas de mexer nos planos de carreira, PNE, PEE, SEAP, etc. Por isso, a solidariedade e unidade da categoria entre nomeados e contratados é imprescindível!

REFORÇAR A CONSCIÊNCIA DE CLASSE CONTRA O DIVISIONISMO PEQUENO-BURGUÊS
        A Construção pela Base conclama a nossa categoria a reforçar a luta pela sua unidade, contra o trabalho precário, apoiando as bandeiras de defesa dos contratados. Essa luta será longa! Não existe uma única solução como quer a burocracia sindical. As soluções passam por concursos públicos e também pela integração na categoria, com plenos direitos, dos atuais contratados. É uma luta ao mesmo tempo pela unidade de todos os trabalhadores. Para tanto, é preciso remover do nosso caminho o “entulho” da burocracia sindical e reforçar, nas redes sociais e nos debates das escolas, a solidariedade de classe e o esclarecimento do que efetivamente está em jogo. Os núcleos que se dizem de oposição à atual direção do CPERS (38º, 39º, 22º e alguns outros) precisam se somar a esta denúncia e organizar a luta contra as demissões. Porém, não podemos esperar somente por estes núcleos, que já deram inúmeras provas de governismo, ontem e hoje. É preciso que os ativistas independentes e de oposição desencadeiem uma ampla campanha de denúncia por todos os meios possíveis contra estas demissões, para lutar contra as inúmeras consciências atrasadas e esclarecê-las de que hoje servem como base para a desunião e, consequentemente, preparam novas derrotas e retiradas de direitos de nossa categoria.



17 de dez. de 2014

GOVERNO SARTORI: A CONTINUIDADE DO PROJETO NEOLIBERAL NO ESTADO E DO ARROCHO SALARIAL AOS SERVIDORES PÚBLICOS

        O neoliberalismo avança no Brasil e no Estado. Os governos dos partidos burgueses (PT, PSDB, PMDB, PP, PDT, PSB, DEM, etc.) são os agentes da aplicação desses planos. Todos eles apoiaram a privatização das empresas estatais e nenhum dos governos desses partidos modificou a política do governo anterior, ao contrário, todos aprofundaram as privatizações, a destruição dos serviços públicos, a manutenção das isenções fiscais às grandes empresas e a drenagem da metade do orçamento público para o pagamento das dívidas com os agiotas internacionais. A escalada de retiradas de direitos dos trabalhadores tem sido a prática de todos os governos.
        O PT e o PMDB são aliados em nível nacional e defendem juntos um mesmo programa para o Brasil e o Estado: cumprir os compromissos e as políticas educacionais assumidos com o Banco Mundial. A política de arrocho salarial se intensifica, continuam as privatizações, as parcerias público-privadas (que drenam recursos públicos), a precarização do trabalho (através das terceirizações nos serviços públicos e dos vínculos precários através da política permanente de “contratação emergencial”). Esses são os mecanismos usados pelos diversos governos para retirar direitos e dividir a classe trabalhadora.
        O “novo” governador, José Ivo Sartori, do PMDB, utiliza o mesmo argumento de todos os governos anteriores de déficit nas finanças no estado para justificar o não compromisso com o pagamento do Piso Nacional Salarial e para manter o arrocho salarial dos servidores. O vice-governador, José Paulo Cairoli, quando questionado pelos repórteres sobre a garantia do pagamento da folha do funcionalismo em dia, declara: “se tem dinheiro, se paga, se não tem não se paga” (http://wp.clicrbs.com.br/cenariopolitico/cairoli-se-tem-dinheiro-se-paga-se-nao-tem-nao-se-paga/?topo=52,1,1,,171,e171), anunciando a sua futura política de descaso com o serviço público e com os trabalhadores, típico dos governos burgueses. O pagamento aos agiotas internacionais é sempre garantido, enquanto que aos trabalhadores destinam as migalhas de sempre; e isso quando sobram. Muito se fala em crise financeira do Estado, mas a verdadeira responsável pela crise é a extorsão chamada dívida externa e interna, que consome mais da metade do que o país arrecada e produz, bem como a dominação imperialista, que mantém o país e o Estado como produtores de matérias primas. Assim como Tarso fez, Sartori trabalhará no sentindo de continuar despejando os custos da crise capitalista internacional sobre os ombros dos trabalhadores e, particularmente, da nossa categoria.
         Na véspera da posse do novo governo e dos novos deputados, e na contramão das declarações sobre falta de dinheiro no Estado, a Assembleia Legislativa aprova um projeto de lei em que aumenta os salários para o executivo e o legislativo: 55,4% para o governador, 75,6% para o vice-governador e secretários de Estado, 33,1% para os deputados estaduais, e para os trabalhadores nada. Para si, para os seus e para a burguesia, não faltará dinheiro. Essa é a lógica do capitalismo e de todos os seus governos.
        A direção governista do CPERS engana a categoria com a sua demagogia de que existem “dois projetos em disputa no Estado”: o do PT e o representado pelo PMDB. Na verdade, PT e PMDB estão aliados nacionalmente e governam juntos o país, aplicando aqui no Estado a mesma política de arrocho contra os trabalhadores que aplicam a nível nacional. Temos que ficar alertas para o oportunismo eleitoreiro da direção do CPERS de apenas desgastar eleitoralmente o governo Sartori, sem se importar com a construção da luta consequente, que deixe um salto organizativo no nosso sindicato e de conscientização para a categoria. A luta eleitoral não pode ser confundido com a defesa da categoria. Seu único objetivo será trazer de volta o PT ao governo do Estado daqui a 4 anos, como fez com o “Fora Yeda”, que serviu apenas para desgastar o governo Yeda e garantir a eleição de Tarso Genro. A experiência com todos estes governos é que tanto PT, quanto PSDB e PMDB governam para a burguesia e contra os trabalhadores, apenas com discursos diferenciados.

        Necessitamos organizar nossa classe a partir do local de trabalho, realizar debates e formação da categoria no sentido de romper com as práticas burocráticas de seguir a reboque dos partidos burgueses e oportunistas e de suas políticas de submissão aos planos do imperialismo, expressos nos projetos do Banco Mundial. Um dos primeiros passos que devemos dar nesse sentido é conscientizar a nossa categoria sobre a necessidade de lutar contra  a burocracia governista do CPERS e de retomar a discussão sobre a desfiliação da CUT.

A NOTA DE "OBSCURECIMENTO" DA DIREÇÃO DO CPERS

A direção do CPERS lançou uma suposta “nota de esclarecimento” no dia 3 de dezembro no intuito de combater os abaixo-assinados e plebiscitos informais que estão ocorrendo em muitos núcleos para debater sobre a desfiliação da CUT. Esta “nota de esclarecimento” é, na verdade, de “obscurecimento”, porque distorce os fatos e quer somente confundir a categoria para justificar a sua atitude arbitrária de cancelar o antigo calendário de debates que visava aplicar a resolução do Congresso de Bento. Aqueles que estão enganando escandalosamente a categoria (a atual direção do CPERS – Articulação Sindical-CUT – PT) tentam se vender como os honestos “esclarecedores”. Não há nada mais longe de um esclarecimento do que isso!
O fato é que a direção do CPERS confunde intencionalmente a categoria para esconder o seu golpe. Em primeiro lugar, quem marcou a proposta de plebiscito e de debate de desfiliação da CUT não foi uma assembleia geral, mas o VIII Congresso do CPERS. Então, o trecho que diz “todas as decisões tomadas em Assembleia Geral, somente outra Assembleia Geral pode mudar” carece de sentido e serve apenas para esconder que a atual direção está desrespeitando e passando por cima de uma resolução de Congresso, o que é um fato gravíssimo! Somente uma assembleia, por ser uma instância máxima da categoria, poderia desmarcar o plebiscito aprovado no Congresso e o calendário de debates aprovados no Conselho Geral do dia 11/04/2014.
O que a nota quer esconder é que o Conselho Geral, utilizando-se de sua maioria artificial e mesmo sem ter poderes para isso, anulou uma decisão de congresso porque tem diferenças profundas com ela. Sendo assim, a atual direção não rasga apenas o estatuto do sindicato, mas uma tradição histórica do movimento operário. A atual direção é, portanto, a principal interessada em “enganar a categoria”.
        Diz ainda que a “direção central do CPERS não se furtará de fazer este debate”, mas já furtou na prática: sabotou a decisão de um congresso e jogou para um futuro indeterminado este “debate”, que será, certamente, transformado em um teatro que não discutirá profundamente nada e não decidirá absolutamente nada – ações muito comuns no nosso sindicato não apenas por parte da atual direção. A sua “nota de esclarecimento”, portanto, serve apenas para obscurecer e enganar a nossa categoria. São fatos como este que nos fazem entender a profunda paralisia em que se encontra o nosso sindicato, entregue a uma burocracia governista parasitária que está se esforçando ao máximo para destruir as últimas pontes que existiam com a base.