7 de set. de 2015

BALANÇO DO CONSELHO GERAL AMPLIADO: A DIREÇÃO BUROCRÁTICA DO CPERS FECHA O CERCO PARA EVITAR AS IDEIAS DIVERGENTES

     O Conselho Geral Ampliado do dia 02/09, ocorrido na Igreja da Pompeia, mostrou claramente a posição burocrática da direção do CPERS de frear a luta e desmontar a greve através da sua truculência com as forças minoritárias e a base da categoria. Assim como na Assembleia Geral, seguranças foram escalados para oprimir e intimidar. No vale tudo da direção, impediram a categoria de entrar, descumprindo o artigo 5º do estatuto, que diz: São direitos dos associados: f) propor à Diretoria e ao Conselho Geral ou às Assembleias Gerais todas as medidas que julgarem necessárias ao engrandecimento da Entidade; i) participar, sem direito a voz e voto, das reuniões dos Conselhos dos Núcleos, do Conselho Geral e do Congresso Estadual, de acordo com o Regimento. Mesmo não sendo previsto no estatuto “conselho geral ampliado”, o que é uma falha, no momento em que ocorrer, todos os participantes deveriam ter direito a fala (convidados ou não), já que os conselhos gerais são teoricamente “abertos à participação da categoria”. Após muita pressão da base, e também para evitar o seu desgaste, a direção liberou as portas depois que colegas de Porto Alegre foram agredidos e impedidos de entrar. Muitos outros colegas acabaram desistindo e retornando para suas casas indignados com a ação da direção.
        Essa truculência e autoritarismo não é por acaso. Ela tem um objetivo claro por parte da direção burocrática do CPERS: continuar blindando o governo Sartori (PMDB), seu aliado em nível federal. No vale tudo da direção para oprimir e fazer valer suas ideias em nome da “governabilidade” do PT/PMDB, ela direciona o movimento para a derrota. Seus discursos e intervenções visavam desencorajar os diretores de núcleos e os presentes que queriam continuar a greve até a data de uma nova assembleia. Para isso, a direção usou o velho papo furado de romper a unidade com o Movimento Unificado dos servidores públicos. Neste movimento, a direção do CPERS age como retaguarda, puxando a luta pra trás ao invés de ser a vanguarda do movimento unificado, impulsionando os outros sindicatos para uma luta consequente contra o governo Sartori, com uma GREVE UNIFICADA POR TEMPO IDETERMINADO e radicalizando nos métodos (piquetes, ocupação dos espaços públicos...); ao invés disso, a direção central faz de conta que luta, sustentando uma “greve parcelada” proposta pela CUT; também não mobilizou os servidores para impedir a votação do PL 103/2015 que libera as Parcerias Público Privadas (PPP) no estado. Age dessa forma porque o governo Sartori é a continuidade do governo Tarso (PT), assim como esse foi do governo Yeda (PSDB): todos os governos dando conta do projeto neoliberal em curso no país e no Estado. Além disso, a direção central vai para mídia burguesa combater os piqueteiros do CAFF. Lamentável! A quem serve a direção do CPERS?
        É por isso que todos aqueles que falam em “unidade na greve” sem levar em conta o papel nefasto da direção central do CPERS, ajudam direta ou indiretamente a sabotar a luta, enfraquecendo-a na prática. Não é possível dar um “cheque em branco” para esta direção, uma vez que cumpre este papel nefasto. Prova disso foi a “patrola” que esmagou a base neste conselho geral. Enquanto a luta for conduzida desta forma autoritária e vacilante, criticar é um dever dos trabalhadores conscientes. É desta crítica que a burocracia cutista quer fugir desesperadamente. Nossa corrente não apenas teve o direito de voz negado autoritariamente, como a presidente do sindicato incitou os conselheiros da CUT e da CTB contra a nossa corrente a partir de uma mentira (que não foi desfeita). A presidente do CPERS mentiu ao afirmar que a Construção pela Base organizou um ato “contra o CPERS” na manhã daquele mesmo dia. Na verdade, este ato foi aprovado na zonal sul de Porto Alegre (colégio Roque Gonzáles) por outros colegas. Reivindicamos o ato e alguns militantes de nossa oposição participaram dele, mas não fomos nós os seus proponentes e organizadores. O intuito evidente da burocracia cutista foi tentar jogar a base dos presentes contra a nossa oposição, visando preparar terreno para a nossa expulsão burocrática da entidade. Todos os companheiros combativos do CPERS sabem do papel que procuramos cumprir, bem como da nossa prática e moral de luta.

A adesão à greve demonstra a disposição da categoria para seguir na luta, mas a burocracia quer desmontá-la
        Os relatos dos núcleos demonstraram uma adesão significativa dos educadores, com percentual que variava entre 80%, 90% e 95% de participação nas mobilizações da categoria, o que deixa claro a sua disposição de luta. É evidente que temos que analisar diariamente este ânimo, para escolhermos as melhores táticas de combate, mas não dá para se admitir que a direção do CPERS coloque medo na categoria e que trabalhe incessantemente para desmontar a greve. Todas as tentativas da direção burocrática do CPERS foram no sentido de que retornássemos de cabeça baixa no dia 04/09 após ampla ofensiva do governo, com salários parcelados e congelados, nossos direitos negados, nenhuma retirada dos projetos da assembleia, repasses das escolas cortados, etc. Apesar de todo cerceamento da democracia sindical, a pressão da base presente no Conselho Geral Ampliado fez valer sua vontade: a greve continuará até a próxima assembleia, que ficou marcada para o dia 11/09, onde definiremos se continuaremos a greve por tempo indeterminado ou não. Este é motivo pelo qual a direção do CPERS queria negar a entrada da categoria para acompanhar o Conselho Geral ampliado e está criando as condições para instaurar uma verdadeira ditadura dentro do sindicato contra as minorias e a base independente.

       


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